Anvisa determina recolhimento de antibiótico após troca de frascos em lote

Medida atinge o lote 111770C do Kefadim; frascos de outro antibiótico foram inseridos na embalagem errada, o que pode levar a erro de medicação em hospitais. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento e a suspensão imediata da comercialização, distribuição e uso de um lote do antibiótico injetável Kefadim após confirmar uma falha no processo de embalagem que resultou na troca de medicamentos dentro das caixas. A decisão atinge o lote 111770C do produto Kefadim 1 g pó para solução injetável, fabricado pela empresa Antibióticos do Brasil Ltda. Falha no processo de embalagem levou à troca de princípios ativos Segundo a Anvisa, foi confirmada a presença do medicamento Kefazol (cefazolina sódica) 1 g dentro de embalagens rotuladas como Kefadim (ceftazidima pentaidratada) 1 g. No texto da resolução, o órgão registra: “Confirmação do desvio de qualidade relativo à falha no processo de embalagem que culminou com o produto Kefazol (cefazolina sódica) 1g do lote 111770C em embalagem do produto Kefadim (ceftazidima pentaidratada) 1g”. Embora ambos sejam antibióticos injetáveis, tratam-se de substâncias diferentes, indicadas para perfis distintos de infecção. Risco envolve possível erro de medicação em ambiente hospitalar A troca representa risco potencial de erro de medicação, especialmente em hospitais, onde os antibióticos são administrados por via intravenosa ou intramuscular, muitas vezes em pacientes com quadros infecciosos graves. Caso o profissional de saúde utilize o conteúdo acreditando tratar-se de ceftazidima, mas na prática esteja administrando cefazolina, pode haver: A Anvisa classificou o caso como desvio de qualidade e determinou o recolhimento preventivo. Hospitais, clínicas e demais estabelecimentos devem interromper imediatamente o uso do lote 111770C, isolar o estoque e seguir as orientações da fabricante para devolução. Ao g1, a Antibióticos do Brasil afirma que a publicação “refere-se a uma queixa pontual, já analisada e respondida pela empresa, com a devida identificação da causa e implementação imediata de medidas preventivas”. Veja nota na íntegra: “A ocorrência envolveu uma divergência de rotulagem em um único frasco, sem qualquer impacto ao conteúdo do medicamento, que estava correto. O produto foi prontamente identificado e recolhido, sem uso em pacientes. Não há registro de eventos adversos ou de novas ocorrências relacionadas ao caso. A ABL mantém rigorosos controles de qualidade e segurança em seus processos e segue em alinhamento com a Anvisa, reafirmando seu compromisso com a segurança dos pacientes, a qualidade de seus produtos e a transparência.”

Equipes de saúde indígena e EpiSUS reforçam atendimento a crianças com suspeita de coqueluche no território Yanomami

Profissionais estão na região desde segunda-feira (16/02), realizando busca ativa por pacientes e reforçando a vacinação do público infantil Ministério da Saúde enviou, de forma emergencial, nessa segunda-feira (16/02), equipe de saúde com médico, técnico de enfermagem, enfermeiro e socorrista para aumentar o número de profissionais que atuam no polo base da região de Surucucu, na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. Esses profissionais foram acompanhados de especialistas do Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do SUS (EpiSUS), com experiência na contenção de possíveis surtos ou aumento de casos de doenças infecciosas. O Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami confirmou oito casos de coqueluche na região, com três óbitos.  Esse time se junta às equipes do DSEI Yanomami que já estão em Surucucu fazendo buscas ativas por novos casos, coletando material para análises clínicas e reforçando a vacinação em todas as crianças de aldeias adjacentes. Ao todo, são cerca de 50 profissionais no território atuando na prevenção de novos casos e assistência local. O falecimento de três crianças segue em investigação pelos órgãos competentes, segundo informações de terça-feira (17). As demais crianças que tiveram o diagnóstico confirmado foram levadas para hospitais em Boa Vista (RR). Duas delas já tiveram alta e voltaram para suas respectivas aldeias. Todos os pacientes suspeitos de coqueluche e as pessoas que tiveram contato estão em tratamento e com acompanhamento. No DSEI Yanomami, o Esquema Vacinal Completo (EVC) das crianças com menos de um ano de idade e aquelas menores de cinco anos apresentou evolução expressiva. Em 2022, 29,8% das crianças menores de um ano tinha o esquema vacinal completo. Esse dado evoluiu para 57,8%, em 2025. No caso de crianças menores de cinco anos o aumento foi de 52,9% para 73,5% no mesmo período. O EVC mensura a proporção de pessoas com todas as vacinas previstas no Calendário Nacional de Vacinação, por faixa etária. O secretário de Saúde Indígena, Weibe Tapeba, atribuiu ao aumento da força de trabalho na terra indígena Yanomami o êxito no combate aos vazios assistenciais. Em 2023, o DSEI contava com 690 profissionais contratados. Desse período até agora, mais 1.165 profissionais foram contratados. Um crescimento de 169%. “Mais profissionais de saúde mobilizados no distrito garantem a cobertura do atendimento diretamente nas aldeias e a ação rápida em situações como essas. Hoje, além das vacinas, podemos realizar testes e exames diretamente nos Polos Base. Por exemplo: o exame de gota espessa hoje pode ser feito diretamente no território devido a contratação de microscopistas”, explicou. Centro de Referência em Surucucu Em setembro de 2025, o primeiro Centro de Referência em Saúde Indígena (CRSI Xapori Yanomami) do Brasil começou a funcionar no Território Yanomami, em Roraima, marcando um avanço histórico na atenção à saúde das populações indígenas da região. A unidade teve um investimento federal de cerca de R$ 29 milhões, com o objetivo de ampliar a capacidade de atendimento de casos graves, oferecer suporte em urgências e emergências e reduzir a necessidade de remoções a centros urbanos distantes. A construção da unidade contou com o apoio da Central Única das Favelas (CUFA) e da ONG alemã Target Reudiger Nehberg. Cerca de 10 mil indígenas de 60 comunidades são beneficiados diretamente pela estrutura, que respeita as especificidades culturais e epidemiológicas do povo Yanomami e conta com profissionais de saúde, logística e infraestrutura.

Brasil e Índia debatem parcerias para ampliar cooperação para produção de medicamentos, saúde digital e medicina tradicional

Ministro Alexandre Padilha se reuniu com principais autoridades de saúde do governo indiano ministro da Saúde, Alexandre Padilha, está em missão oficial na Índia para fortalecer a cooperação bilateral em áreas como tecnologia e inovação em saúde, produção de medicamentos e vacinas, além de avanços regulatórios estratégicos para o Sistema Único de Saúde (SUS). Nesta quarta-feira (18/02), o ministro brasileiro se reuniu com as principais autoridades de saúde do governo indiano. Em Nova Délhi, Padilha encontrou o ministro da Saúde e Bem-Estar da Família da Índia, Jagat Prakash Nadda, e o ministro de Medicina Tradicional, Prataprao Jadhav, para aprofundar ações conjuntas. “Brasil e Índia têm sistemas públicos robustos, forte capacidade científica e papel estratégico no Sul Global. Nossa cooperação em saúde pode ampliar o acesso da população a medicamentos, fortalecer a produção local e impulsionar a inovação”, afirmou Alexandre Padilha. Produção de medicamentos e tecnologias Na reunião com o ministro Jagat Prakash Nadda, o foco foi o fortalecimento da parceria entre os dois países na produção de medicamentos e tecnologias em saúde. Também foram discutidas parcerias entre instituições públicas e empresas dos dois países, com destaque para medicamentos oncológicos e produtos voltados ao enfrentamento de doenças tropicais. Coalizão do G20 e fortalecimento do Sul Global Alexandre Padilha convidou formalmente o governo indiano a participar do lançamento, no Brasil, de projetos da Coalizão Global de Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo lançada durante a presidência brasileira do G20. A coalizão tem por objetivo fortalecer a cooperação Sul-Sul em medicamentos, vacinas e tecnologias em saúde. “Queremos que Índia e Brasil estejam na linha de frente de uma nova agenda internacional de saúde baseada em produção local, inovação e cooperação solidária”, afirmou o ministro brasileiro. Saúde digital e inteligência artificial Outro eixo central das reuniões foi a saúde digital. Brasil e Índia discutiram desafios e oportunidades do uso de tecnologias digitais e inteligência artificial na organização dos sistemas públicos. Segundo Padilha, o intercâmbio em saúde digital pode acelerar a modernização do SUS, ampliar o acesso e qualificar o cuidado à população. Biblioteca digital e cooperação em medicina tradicional Na reunião com o ministro Prataprao Jadhav, o diálogo se concentrou na cooperação em medicina tradicional, área em que a Índia possui estrutura ministerial própria. Um dos temas debatidos foi a implementação de uma biblioteca digital de medicina tradicional, reunindo evidências científicas, protocolos, estudos clínicos, registros históricos e boas práticas sobre Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) – práticas baseadas em conhecimentos tradicionais.

Ministério da Saúde visita parque industrial na Índia para avançar em acordos para produção nacional de biológicos

Visita à indústria farmacêutica indiana busca fortalecer parcerias estratégicas e impulsionar produção nacional de medicamentos de alta complexidade Para ampliar a autonomia do Brasil na saúde pública e fortalecer a produção nacional de medicamentos de alta complexidade, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, visitou nesta quinta-feira (19/2) o parque industrial da Biocon, em Bengaluru, na Índia. Durante a agenda, o ministro conheceu as instalações industriais para produção de medicamentos biológicos como o pertuzumabe – indicado para o tratamento do câncer de mama HER2-positivo, inclusive em estágio metastático. O ministro também conheceu processos para a produção de medicamentos à base de GLP-1, como a semaglutida, popularmente conhecida como “caneta emagrecedora”, indicada para o tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade. “Estivemos em uma das maiores produtoras de medicamentos biológicos, biossimilares. São medicamentos modernos para tratamento do câncer, de doenças autoimunes, doenças crônicas que queremos produzir no Brasil. Uma parceria muito importante que vai garantir mais acesso à população brasileira a esses medicamentos e salvar vidas no nosso país. Além disso, essa grande produtora mundial domina a tecnologia de peptídeos, que são medicamentos para diabetes e controle da obesidade e que também poderão servir, no futuro, para outras doenças. A expectativa do Ministério é que essa aproximação das empresas brasileiras e indianas possa gerar novos acordos, mais tecnologia e mais produção de medicamentos no Brasil. É um importante avanço para cuidar da saúde e soberania brasileira com esse grande parceiro dos BRICS que é a Índia”, disse Padilha. A Índia é uma das principais potências farmacêuticas do mundo, com elevada capacidade produtiva, forte investimento em inovação e expansão significativa na área de saúde digital. Hospitais inteligentes O ministro também visitou a unidade hospitalar da rede Narayana Health, referência internacional no conceito de hospital inteligente. A rede possui diversas unidades na Índia e presença internacional, com hospitais no Reino Unido e Quênia. A instituição se destaca pelo uso intensivo de tecnologias digitais para acompanhamento de pacientes, prontuário eletrônico integrado, monitoramento de equipamentos em tempo real e gestão baseada em dados. Na ocasião, Padilha se reuniu com o diretor médico e vice-presidente da rede, Paul Salins. Segundo o ministro, o Brasil, por meio do Ministério da Saúde, em parceria com a Universidade de São Paulo, estados e municípios, atua para estruturar a Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes. A iniciativa faz parte do programa Agora Tem Especialistas, do Governo Federal, que tem como objetivo reduzir o tempo de espera por consultas, exames e procedimentos especializados no SUS. O projeto prevê a implantação inicial em 13 estados — Manaus (AM), Belém (PA), Salvador (BA), Teresina (PI), Fortaleza (CE), Recife (PE), Dourados (MS), Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS) — com foco nas UTIs e na criação de um hospital de emergência totalmente inteligente, conectado por internet, com monitoramento digital de equipamentos, integração com ambulâncias e articulação com as redes locais de atenção à saúde. “Estamos recebendo financiamento do Banco dos BRICS e firmando parcerias com vários hospitais que já utilizam o conceito dos hospitais inteligentes da China e da Índia. Essa cooperação vai consolidar uma parceria estratégica do Ministério da Saúde com essa futura rede de cuidados no SUS”, apontou Padilha. 

Paciente mais jovem do país a receber polilaminina relata movimento nas mãos: ‘Não mexia antes’

Substância estudada há quase trinta anos é expectativa de pacientes que sofreram lesão na medula e perderam movimentos do corpo. Em Mato Grosso do Sul, a 1ª aplicação do medicamento que ainda está em análise na Anvisa aconteceu no dia 21 de janeiro deste ano. O paciente mais jovem a receber a polilaminina no Brasil e o primeiro de Mato Grosso do Sul, Luiz Otávio Santos Nunez, de 19 anos, relatou ao g1 que voltou a movimentar a ponta de um dos dedos da mão 12 dias após a aplicação da proteína, que ocorreu no Hospital Militar de Campo Grande. Veja o vídeo acima. Luiz Otávio é militar do Exército Brasileiro e ficou tetraplégico após um acidente com arma de fogo em outubro do ano passado. Para ter acesso ao medicamento, ainda em fase experimental, ele precisou recorrer à Justiça. A proteína está em estudos clínicos na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “É algo mínimo, é um movimento pequeno, só que é algo que eu não via antes. E eu tinha comentado com a minha mãe que eu não conseguia mexer a ponta do dedo indicador igual mexia dos outros dedos, e agora [desde o último domingo (1/2)] eu consigo mexer a ponta”, enfatizou Luiz Otávio. O jovem também disse que passou a sentir movimentos nos nervos das pernas, que foram afetadas e perderam a sensibilidade e movimentação após o acidente. A fisioterapia tem sido essencial para a auxiliar na recuperação de Luiz Otávio. “Eu concentro para tentar mexer e eu vejo esses nervos trabalhando”, diz o jovem. A recuperação parcial do movimento trouxe a Luiz a esperança de que o medicamento seja aprovado e possa ajudar a recuperação dele e de outras pessoas que enfrentam a mesma situação. “Espero que seja aprovado porque depois que sofri o acidente, por mais que eu acreditasse que voltaria a andar, ainda era difícil e, depois que recebi a proteína a esperança mudou”, comenta Luiz Otávio. A expectativa também é sentida pela mãe do jovem, Viviane Goreti Ponciano dos Santos, que ficou sabendo da proteína por reportagens que abordaram o assunto. “Desde o início os médicos nos deixaram cientes de que o tratamento dele seria longo e a possibilidade dele voltar a andar ou recuperar os movimentos seria muito longa. Mas vimos a partir de outros exemplos que existia uma possibilidade e outras pessoas tiveram evoluções e fomos atrás”, conta a mãe. A família de Luiz Otávio é de Fátima do Sul, localizada a 240 km de Campo Grande, mas precisou se mudar para a capital de Mato Grosso do Sul devido ao tratamento que o jovem terá que seguir, incluindo a fisioterapia. Proteína aplicada 110 dias após acidente A ação judicial para garantir o direito de Luiz Otávio a receber a polilaminina foi ajuizada no início de janeiro deste ano, quase três meses após o acidente que causou a lesão na medula, conforme explicou o advogado da família, Gabriel Traven. “A ação foi protocolada em uma sexta-feira e no sábado de manhã foi aprovada. O caso dele foi bem específico devido à janela terapêutica”, explica o advogado. O protocolo do estudo conduzido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com o laboratório Cristália, prevê a aplicação da polilaminina em até 72 horas após a lesão medular, período classificado como janela terapêutica. ➡️🔎No caso específico de Luiz Otávio, a aplicação aconteceu 110 dias depois da lesão na medula. A autorização para aplicação no jovem foi concedida pelo laboratório Cristália, parceiro da UFRJ e responsável pela parte industrial do medicamento. Para a pesquisadora responsável pelo estudo, Tatiana Sampaio, do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, ainda não é possível afirmar que as aplicações feitas fora do prazo limite terão efeitos significativos. “Ainda são estudos e o que posso dizer é que quando uma lesão é crônica, com mais de três, quatro meses, a dificuldade [de regeneração] é maior por conta de todo o processo patológico”, comenta a pesquisadora. Tatiana também reforça que não é possível prever se a aplicação da polilaminina vai ter efeitos positivos ou se poderá gerar efeitos colaterais. A lesão e a aplicação em Luiz Otávio A aplicação da polilaminina em Luiz Otávio aconteceu no dia 21 de janeiro de 2026, no Hospital Militar de Campo Grande. O procedimento durou cerca de 40 minutos, conforme relatou o neurocirurgião Wolnei Marques Zeviani, que acompanha o caso em Mato Grosso do Sul. De acordo com Zeviani, uma equipe de profissionais que compõe os estudos no Rio de Janeiro também participou do procedimento e segue acompanhando pós-operatório. “O Luiz sofreu uma lesão traumática que acometeu a medula espinhal, na região da vértebra C6, o que gerou a tetraplegia. Fizemos diversas análises e injetamos a polilaminina abaixo e acima da lesão”, explica o neurocirurgião. O médico reforça que só foi possível aplicar a substância em Luiz Otávio porque a lesão é considerada traumática aguda. O jovem perdeu movimentos parciais de braços e mãos e a sensibilidade total das pernas. “A polilaminina é uma proteína que estamos estudando sobre o efeito dela em lesões traumáticas medulares agudas ou subagudas. Então, o indicado são pacientes que sofreram uma lesão medular e têm uma deficiência de movimentos grave. Atualmente, essa aplicação está sendo feita em pacientes que tiveram a lesão em até três meses”, destaca. Ainda conforme o médico, pessoas que têm lesão medular há mais de seis meses ou anos não são estão sendo submetidos, por enquanto, ao tratamento. “O efeito desse medicamento sobre o tecido lesionado visa o crescimento do axônio, que é uma parte do neurônio que ainda tem capacidade de regeneração. Porém, pacientes com muito tempo de lesão não teriam mais esses neurônios para fazer a função da regeneração do tecido medular”, finaliza. O estudo da polilaminina A polilaminina é uma substância recriada em laboratório a partir da proteína natural laminina, encontrada na placenta humana. A substância tem a função de restabelecer as conexões de neurônios. Conforme Tatiana Sampaio, a substância pode atuar na regeneração de fibras danificadas nas lesões de medula causadas por traumas. “No caso de uma

IA, 5G e decisões em segundos: veja como será o 1º hospital inteligente do SUS no Hospital das Clínicas da USP

Modelo segue tendência que já funciona na China e deve dobrar a capacidade de urgências do complexo; idealizadora explica como a tecnologia muda o cuidado. O Ministério da Saúde deu, na sexta-feira (14), o passo final para a criação do primeiro hospital inteligente do Sistema Único de Saúde (SUS). O acordo firmado com o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP) e com o governo de São Paulo autoriza a instalação do Instituto Tecnológico de Emergência —um novo prédio dentro do complexo, que será erguido do zero e equipado com sistemas digitais, inteligência artificial e rede 5G para integrar ambulâncias e equipes de emergência em tempo real. As obras devem começar em 2026, com previsão de abertura entre 2028 e 2029. O investimento, de R$ 1,7 bilhão, é financiado pelo Banco dos BRICS (NDB) e integra uma rede nacional de serviços inteligentes que prevê a instalação de 14 UTIs de alta precisão nas cinco regiões do país. Idealizadora do projeto, a cardiologista, intensivista e professora titular de Emergências da USP Ludhmila Hajjar explica ao g1 que a iniciativa coloca o Brasil na rota de uma tendência que já está consolidada em países como a China. Lá, hospitais inteligentes funcionam como centros “neurodigitais” de urgência, unidades capazes de integrar ambulâncias, exames, banco de dados e equipes médicas antes mesmo de o paciente entrar pela porta. “O paciente grave é o que mais se beneficia da inteligência artificial. O que estamos fazendo é reduzir etapas que hoje consomem tempo, fragmentam o cuidado e aumentam o risco”, afirma. Triagem por gravidade e não mais pela ordem de chegada Outra mudança central, segundo o projeto, é a forma como o paciente será priorizado. A triagem não dependerá apenas da avaliação presencial da equipe: o sistema de IA vai interpretar sinais vitais, idade, histórico, sintomas e exames transmitidos também antes da chegada. “Hoje ainda existe muita subjetividade na triagem. Os sistemas inteligentes conseguem estabelecer níveis de gravidade com precisão e reduzir erros, além de antecipar decisões”, diz Hajjar. Como funciona hoje e o que muda com o hospital inteligente O pronto-socorro do Hospital das Clínicas não é um serviço de porta aberta. Ao contrário de uma UPA, onde qualquer pessoa pode chegar espontaneamente, o HC só recebe casos regulados —pacientes encaminhados por outras unidades da rede pública após uma avaliação inicial. Isso significa que ninguém pode procurar o HC diretamente, mesmo em emergências graves. A entrada depende de uma vaga liberada pela Cross, o sistema de regulação do estado, ou por mecanismos equivalentes. Esse processo, porém, ainda é feito à moda antiga: telefonemas, e-mails, trocas de mensagens e confirmações manuais de disponibilidade. A maior parte dos pacientes vem de hospitais municipais, UPAs e prontos-atendimentos da Grande São Paulo, geralmente quando há necessidade de recursos que apenas o HC oferece –como neurocirurgia 24 horas, hemodinâmica, ECMO ou terapia intensiva altamente especializada. O fluxo é padrão para hospitais de referência, mas lento e fragmentado. Entre a decisão de transferir e o início do tratamento, minutos se perdem. Não é raro que a vaga seja confirmada quando a ambulância já está a caminho ou até mesmo na porta do hospital. É justamente nesse trecho crítico do percurso —da regulação ao primeiro atendimento— que o hospital inteligente pretende intervir. A nova estrutura pretende concentrar todo o atendimento de urgência e emergência do HC, e nasce com a missão de reorganizar esse fluxo. Hoje, pacientes costumam ser atendidos conforme chegam, equipes aguardam resultados de exames liberados de forma intermitente e a comunicação entre unidades ainda depende de telefonemas e e-mails. No modelo inteligente, esse intervalo é substituído por uma cadeia digital integrada. Com o uso de rede 5G, as ambulâncias passam a transmitir automaticamente sinais vitais, eletrocardiograma, imagens e localização para o hospital. A inteligência artificial cruza essas informações com a disponibilidade de leitos, a especialidade necessária e o nível de gravidade, indicando qual unidade deve receber o paciente e quais equipes precisam ser acionadas. Ludhmila Hajjar resume a diferença com um exemplo simples: hoje, um caso grave na periferia precisa aguardar a liberação da vaga; no novo modelo, esse tempo desaparece. “A ambulância conectada identifica o hospital mais próximo com a primeira vaga disponível, e o tratamento começa ali, dentro da viatura. O hospital já sabe quem está chegando, qual é a suspeita e quais recursos preparar”, explica. Segundo ela, a integração reduz etapas e devolve minutos que podem ser decisivos em situações como AVC, infarto, choque e trauma. “Tempo é vida”, resume a médica. Capacidade dobrada e impacto para todo o complexo do HC A criação do novo instituto pretende absorver integralmente as urgências e emergências do HC e, ao mesmo tempo, dobrar a capacidade atual de atendimento. Ao retirar essa demanda do prédio central, o hospital libera mais espaço para cirurgias eletivas, consultas especializadas e reabilitação. “É uma reorganização de fluxo. O instituto não só amplia o atendimento: ele melhora o HC inteiro”, afirma Ludhmila. O novo hospital será 100% SUS, sem atendimento por convênios privados. Tecnologia importada e adaptada de países do BRICS Como o projeto é financiado pelo NDB, parte substancial da tecnologia virá dos países do BRICS, especialmente a China, que concentra hoje cinco hospitais inteligentes considerados referência. “A China está muito avançada na integração de IA com a emergência. Boa parte do que está sendo usado lá será adaptado para o nosso contexto. Cerca de 70% das soluções vêm dos países do bloco, e o restante de parceiros internacionais”, diz a médica. A ideia, segundo ela, não é reproduzir modelos estrangeiros, mas nacionalizar tecnologias para um sistema universal e de grande escala como o SUS. Segundo o projeto, o instituto também seguirá padrões ambientais elevados: será projetado para baixo carbono, com eficiência energética, reuso de água e processos automatizados que reduzem desperdício. A sustentabilidade, afirma a médica, precisa ser vista como parte da segurança do paciente. “Vamos ter um hospital altamente digital, mas centrado no paciente. Tecnologia só faz sentido se melhorar o cuidado e o ambiente humano”, diz. Pioneirismo no HC, mas projeto prevê expansão O HC será o laboratório inicial. Se o desempenho

Cofen abre consulta pública sobre prescrição de medicamentos por Enfermeiros

O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) abriu, nesta quarta-feira (15), consulta pública sobre a minuta de resolução que estabelece diretrizes para a prescrição de medicamentos pelo enfermeiro, no contexto do Processo de Enfermagem. As contribuições podem ser enviadas até 5 de novembro, por meio da plataforma de consultas públicas do Conselho. A proposta busca fortalecer a autonomia técnica e científica do enfermeiro e padronizar critérios que assegurem segurança assistencial e eficiência no cuidado prestado à população. A prescrição de medicamentos é uma atribuição prevista na Lei nº 7.498/1986, regulamentada pelo Decreto nº 94.406/1987, que autoriza o enfermeiro a prescrever no âmbito de programas de saúde pública e conforme protocolos institucionais previamente aprovados. Trata-se de uma prática legal, segura e respaldada cientificamente, que amplia o acesso da população a medicamentos e tratamentos resolutivos, contribuindo para a efetividade das políticas públicas de saúde e a ampliação da cobertura assistencial. “A consulta pública é um instrumento democrático essencial para que a categoria participe da construção de normas que impactam diretamente o exercício profissional. A contribuição dos enfermeiros e enfermeiras de todo o país será fundamental para aprimorar o texto e consolidar uma regulamentação sólida, que valorize a autonomia e a responsabilidade técnica da Enfermagem”, destacou Vencelau Pantoja, primeiro-secretário do Cofen e coordenador do Grupo de Trabalho (GT) que analisará a minuta de resolução. Profissionais de Enfermagem, instituições de saúde, acadêmicos e demais interessados podem participar acessando o endereço eletrônico: https://consultapublica.cofen.gov.br/cofen/45/proposicao  Fonte: ASCOM/COFEN

Como funciona a vacina contra a bronquiolite?

Ministério da Saúde iniciou a vacinação de gestantes a partir da 28ª semana. O imunizante ajuda prevenir casos de vírus respiratórios em recém-nascidos Sistema Único de Saúde (SUS) e é destinada a gestantes a partir da 28ª semana com o objetivo prevenir os casos de bronquiolite em recém-nascidos. O VSR é o principal responsável por 75% dos registros de bronquiolite em recém-nascidos e por aproximadamente 40% das ocorrências de pneumonia em crianças menores de dois anos. Até o momento, o Brasil registrou 43,1 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associados pelo vírus. Proteção que começa na gestação A vacina contra a bronquiolite em grávidas funciona por meio da imunização passiva: a mãe produz anticorpos contra o vírus, que são transferidos ao bebê pelo cordão umbilical. Assim, a criança já nasce com uma proteção temporária, mas altamente eficaz, contra o VSR. A aplicação é indicada para uma fase específica da gravidez, geralmente no terceiro trimestre, quando a transferência de anticorpos da mãe para o bebê é mais eficiente. A vacina foi incorporada ao Calendário Nacional de Vacinação da Gestante e deve ser aplicado a partir da 28ª semana de gestação, garantindo proteção aos bebês nos primeiros meses de vida. A meta é vacinar 80% do público-alvo. O Ministério da Saúde também prevê a compra de mais 4,2 milhões de doses até 2027. A eficácia da estratégia foi demonstrada em estudos clínicos, como o Estudo Matisse, que revelou eficácia de 81,8% na prevenção de doenças respiratórias graves causadas pelo VSR nos primeiros 90 dias de vida dos bebês. A incorporação da vacina contra o VSR no SUS representa um marco na saúde pública. Ao garantir a imunização gratuita para gestantes, o país avança na proteção da primeira infância e na equidade do cuidado. Com a chegada das doses às Unidades Básicas de Saúde (UBS), o Ministério orienta as equipes a verificarem e atualizarem a situação vacinal das gestantes, incluindo influenza e covid-19, uma vez que a vacina contra o VSR pode ser administrada simultaneamente a esses imunizantes. Ministério da Saúde

Anvisa publica registro da vacina contra a dengue do Butantan

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou nesta segunda-feira (8) o registro da Butantan-DV, a primeira vacina de dose única contra a dengue no mundo produzida pelo Instituto Butantan. A publicação oficializa a conclusão do processo regulatório e permite a produção e a comercialização do imunizante — que será ofertado exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) — no país. O imunizante protege contra os quatro tipos de vírus da doença e será destinado a pessoas de 12 a 59 anos. O Insituto Butantan já tem 1 milhão de doses prontas em estoque. A expectativa é que mais 25 milhões sejam produzidas até o segundo semestre de 2026. Em 2027, deverão ser mais 35 milhões. Os estudos apontaram que os voluntários que tomaram a vacina ficaram protegidos durante cinco anos, segundo o Ministério da Saúde. No último 26, a Anvisa assinou o termo de compromisso com o Instituto Butantan para estudos e monitoramento da vacina. Era a última etapa que faltava para o registro da vacina. Um comitê de especialistas e gestores do SUS ainda vai definir o grupo a ser vacinado com a Butantan-DV, que deve ser incluída no Programa Nacional de Imunizações (PNI) em janeiro do ano que vem. Segundo o diretor do Butantan, Esper Kallas, a eficácia da vacina é a seguinte: Eficácia geral: 74,7% Proteção para dengue grave ou sinais de alerta: 91,6% (mesmo vacinada, se uma pessoa for infectada pelo vírus, a probabilidade de desenvolver sintomas graves é bem baixa) Proteção para hospitalização: 100% O instituto também fechou parceria com a empresa chinesa WuXi para ampliar a capacidade de produção. Dose única Segundo a secretária estadual de Saúde em exercício, Priscilla Perdicares, as vantagens de ter uma vacina de dose única: facilita a logística, aumenta a adesão das pessoas e vai acelerar a imunização da população. A vacina contra a dengue, com duas doses, foi incorporada ao PNI em dezembro de 2023, quando o Brasil se tornou o primeiro no mundo a oferecer o imunizante na rede pública. Até então, apenas a Qdenga, fabricada pela farmacêutica japonesa Takeda, estava disponível no SUS. Como é produzida fora do país e exige duas doses, o imunizante do laboratório japonês ficou restrito a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos — público que concentra o maior número de hospitalizações depois dos idosos. A Qdenga não tem autorização da Anvisa para uso acima dos 60 anos. A nova vacina do Butantan não substitui a japonesa. O contrato do Ministério da Saúde com a Takeda é de 18 milhões de doses. Estudos A Butantan-DV vem sendo desenvolvida há mais de uma década em parceria com o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos (NIH). O pedido de registro foi apresentado à Anvisa em 16 de dezembro de 2023. A aprovação ocorreu após cinco anos de acompanhamento dos voluntários na fase 3 dos ensaios clínicos. Segundo o instituto, nos estudos de fase dois, a vacina demonstrou 79,6% de eficácia geral para prevenir casos de dengue sintomática. Já na terceira fase de estudos, a eficácia chegou a uma proteção de 89% contra dengue grave e dengue com sinais de alarme, além de eficácia e segurança prolongadas por até cinco anos. Cenário epidemiológico A ampliação da vacinação ocorre em meio ao aumento expressivo de casos de dengue no país. O Brasil registrou 6,56 milhões de casos prováveis da doença e 6.321 mortes em 2024, segundo o painel de monitoramento da doença do Ministério da Saúde. O número é quatro vezes maior que o de 2023, quando houve 1,65 milhão de casos e 1.179 óbitos. Em 2025, já são 1,63 milhão de casos prováveis e 1.730 mortes. O estado de São Paulo concentra 55% das infecções, com 897 mil casos e 1.108 óbitos

Você sabia que o Brasil terá mais idosos do que crianças até 2030?

E isso faz do Cuidador de Idosos uma das profissões do futuro. O envelhecimento da população brasileira está acelerado. De acordo com o IBGE, em menos de 10 anos, o número de pessoas com mais de 60 anos será maior que o de crianças até 14 anos.Com isso, cresce a procura por cuidadores de idosos capacitados e preparados para lidar com as demandas da terceira idade. O Cuidador de Idosos é o profissional que acompanha, auxilia e dá suporte físico e emocional a quem precisa de atenção contínua.Ele pode atuar em residências, clínicas, hospitais e instituições de longa permanência, desempenhando um papel essencial na promoção do bem-estar. No CTA Cursos Técnicos, o curso de Cuidador de Idosos oferece uma formação completa, com foco em humanização, empatia e prática supervisionada — preparando o aluno para um mercado que só tende a crescer.

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Mudamos o nome, mas nossa essência permanece a mesma: compromisso com a educação técnica de qualidade, preparando profissionais para atuarem com excelência no mercado de trabalho.