Manchas em formato de borboleta na face? A ciência mostra como a dieta ajuda a prevenir e tratar o melasma

Inflamação, metabolismo e estresse oxidativo participam do desenvolvimento dos melasmas na pele e ajudam a entender por que a dieta entrou no radar dos pesquisadores. Manchas escuras na pele, especialmente no rosto, afetam a autoestima e a interação social, com impacto na qualidade de vida e no bem-estar emocional. Em muitos casos, essas alterações podem persistir mesmo com tratamentos dermatológicos e o uso constante de protetor solar. Essas manchas, conhecidas como melasma, são uma das formas mais comuns de hiperpigmentação da pele. Aparecem principalmente em mulheres adultas e são mais frequentes em populações com maior pigmentação cutânea e regiões de alta exposição solar. Isso ajuda a explicar sua elevada prevalência em países tropicais como o Brasil. Por décadas, o melasma foi explicado principalmente pela exposição solar, por alterações hormonais e pela predisposição genética. Esses fatores continuam centrais para a compreensão do problema. Há também relação, direta ou indireta, com estresse e depressão. Ainda assim, revisões recentes sobre a fisiopatologia do melasma indicam que esses fatores não são suficientes para explicar todos os casos observados na prática clínica. Nos últimos anos, pesquisadores passaram a examinar outros fatores biológicos associados ao surgimento dessa hiperpigmentação. Entre eles estão a inflamação, as alterações metabólicas e o estresse oxidativo. Esses processos podem influenciar a atividade dos melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina. Estudos recentes também indicam que a ativação de mastócitos — células de defesa da pele — e o aumento de substâncias inflamatórias como a histamina podem agravar a inflamação local e favorecer o desenvolvimento do melasma. A partir dessas descobertas, uma pergunta começou a ganhar espaço na literatura científica: a alimentação também poderia interferir nesses mecanismos e influenciar o desenvolvimento do melasma? A participação dos hormônios e da genética O melasma é mais frequente em mulheres, sobretudo em fases de variação hormonal, como a gravidez, o uso de anticoncepcionais e, em alguns casos, a terapia de reposição hormonal — embora a maioria dos casos surja na fase reprodutiva. Revisões científicas indicam que estrogênio e progesterona podem estimular a melanogênese, processo de produção da melanina, pigmento natural que dá cor à pele, aos cabelos e aos olhos e ajuda a protegê-los da radiação ultravioleta. A predisposição genética também está envolvida em cerca de 30% dos casos, e o histórico familiar frequente entre pacientes reforça a participação de fatores hereditários. Ainda assim, o quadro não se explica apenas pelo aumento da produção de melanina, mas por uma rede mais complexa de interações biológicas. Esse contexto ajuda a entender por que o melasma compartilha características com outras condições sensíveis à influência estrogênica, como endometriose e lipedema, que também podem ser agravadas por ambientes inflamatórios no organismo. Durante muito tempo acreditou-se que o melasma resultava principalmente da hiperatividade dos melanócitos (células produtoras da melanina). Hoje é sabido que o fenômeno é mais amplo. Além da síntese de melanina, entram em cena mecanismos relacionados à forma como esse pigmento é transferido e distribuído entre as células da pele. A atuação de diferentes genes e enzimas envolvidos nesse processo colabora para o surgimento da hiperpigmentação. A comunicação entre as células da pele e as respostas inflamatórias também participam do processo. Esses achados ampliaram o escopo da investigação sobre o melasma ao incluir outros fatores biológicos associados à sua formação. Pesquisas recentes mostram que o melasma está associado a mudanças em diferentes estruturas da pele. Além dos melanócitos, participam desse quadro os queratinócitos, fibroblastos e mastócitos — células de defesa associadas à resposta inflamatória na pele. Quando ativadas por fatores como radiação ultravioleta, alterações hormonais ou poluentes, essas células liberam moléculas inflamatórias capazes de favorecer a hiperpigmentação. Partículas presentes na poluição ambiental também vêm sendo investigadas. Esses poluentes podem comprometer a barreira cutânea, aumentar a formação de radicais livres e estimular respostas inflamatórias, contribuindo para o desenvolvimento da hiperpigmentação. Outro fator relevante é o estresse oxidativo. Ele ocorre quando há excesso de radicais livres — moléculas instáveis capazes de danificar estruturas celulares. Esse desequilíbrio pode favorecer a inflamação e alterações na pigmentação cutânea, contribuindo para o surgimento ou a persistência das manchas. No tecido cutâneo, sistemas naturais de defesa antioxidante ajudam a neutralizar esses compostos. Alterações nesse sistema, porém, têm sido observadas em pacientes com melasma. Também foram descritas mudanças na matriz extracelular — estrutura que sustenta os tecidos e inclui componentes como fibras de colágeno e fibras elásticas — e na função da barreira cutânea. A camada mais externa da pele atua como um escudo protetor, reduzindo a perda de água e dificultando a entrada de poluentes e outros agentes externos. Desequilíbrios nesses mecanismos podem contribuir para a continuidade desse processo na pele. Como e onde a dieta pode ajudar Essa compreensão mais ampla levou pesquisadores a analisar o possível papel da alimentação. A relação entre nutrição e saúde da pele ainda está em estudo, mas algumas linhas de investigação vêm ganhando destaque. Uma delas envolve substâncias antioxidantes presentes nos alimentos, capazes de interferir em mecanismos biológicos relacionados à pigmentação. Essa associação é discutida no livro Nutrição Funcional na Estética (2ª edição, Ed.GEN Guanabara Koogan). No capítulo “Melasma: conexão entre pele e a teia do metabolismo e da nutrição funcional”, a nutricionista e esteticista Sheila Mustafá e a bioquímica Mika Yamaguchi reúnem estudos que analisam como compostos bioativos presentes na dieta podem modular processos ligados à formação das manchas. Os polifenóis estão entre os compostos mais investigados. Essas moléculas antioxidantes estão amplamente distribuídas em alimentos de origem vegetal. As catequinas do chá verde vêm sendo estudadas por seu potencial anti-inflamatório e por sua capacidade de proteger a pele contra danos induzidos pela radiação ultravioleta. A romã é mais um alimento que tem despertado interesse nesse campo. A fruta é rica em elagitaninos e ácido elágico, substâncias antioxidantes que, em estudos experimentais, demonstraram capacidade anti-inflamatória e aumento da proteção cutânea contra os efeitos da radiação ultravioleta. Essas moléculas também estão presentes em frutas como jabuticaba, camu-camu, morango e framboesa. A absorção e o metabolismo dessas moléculas dependem, em parte, da microbiota intestinal, responsável por transformar esses compostos em formas bioativas. Outro conjunto importante de

Os segredos sobre a saúde da mulher escondidos no sangue da menstruação

Desde endometriose e câncer cervical até diabetes e distúrbios da tireoide, os cientistas estão descobrindo que o sangue menstrual oferece uma visão sobre o bem-estar das mulheres. Como muitas mulheres que menstruam, Emma Backlund preferia não pensar muito sobre o sangue que perdia todos os meses. Mas, quando a startup de biotecnologia NextGen Jane pediu seu sangue menstrual em 2023, Backlund prontamente guardou oito absorventes internos de um ciclo e os enviou pelo correio para o laboratório da empresa em Oakland, na Califórnia. Claro, era um pedido incomum, mas relativamente simples — e ela ficou mais do que feliz em ajudar, especialmente se isso significasse que outras meninas no futuro poderiam evitar o sofrimento que ela enfrentou ao crescer. “Quando eu tinha 11 anos, tive minha primeira menstruação e achei que estava morrendo”, diz Backlund, uma estudante de pós-graduação de 27 anos, de Minnesota, nos Estados Unidos. “Lembro de dizer para minha mãe que eu precisava ir ao hospital. E praticamente todas as menstruações que tive desde então foram assim. Eu vomitava todo mês. Perdia atividades sociais e aulas. Era uma dor ardente, lancinante, dilacerante, que não passava.” Backlund levou 13 anos para descobrir que tinha endometriose, um distúrbio crônico e debilitante no qual o tecido que reveste o útero começa a crescer fora dele. A endometriose faz com que 190 milhões de pessoas no mundo — cerca de um décimo das mulheres em idade reprodutiva — sofram com menstruações intensas, dor pélvica agonizante, problemas urinários ou intestinais e até infertilidade. O pior é que o diagnóstico costuma levar entre cinco e 12 anos, como aconteceu com Backlund. A confirmação exige uma laparoscopia, um procedimento médico no qual uma pequena câmera é inserida na cavidade pélvica, explica Ridhi Tariyal, cofundadora e diretora-executiva da NextGen Jane. É por isso que Tariyal e outros líderes de startups inovadoras estão trabalhando para desenvolver um teste diagnóstico melhor — que promete ser mais rápido, mais barato e menos invasivo do que a cirurgia, e que pode revelar muito mais do que apenas o diagnóstico de endometriose. O segredo, acreditam eles, está no sangue menstrual. Uma mina de ouro médica A análise de amostras de urina por médicos remonta aos tempos da Babilônia e da Suméria, há cerca de 6 mil anos. As fezes e o sangue venoso passaram a ser estudados um e dois séculos atrás, respectivamente. Mas o sangue menstrual nunca recebeu muita atenção clínica. Ainda assim, trata-se de um fluido complexo: metade dele é sangue comum, enquanto o restante é composto por proteínas, hormônios, bactérias, tecido endometrial e células eliminadas da cavidade vaginal, do colo do útero, das trompas de falópio, dos ovários, entre outras partes. “Você tem acesso a tipos de células e outras assinaturas moleculares que simplesmente não aparecem no sangue total, na saliva ou em outros tipos de amostras”, diz Tariyal. “É essencialmente uma biópsia natural, que oferece informações sobre os órgãos reprodutivos.” A empresa dela, a NextGen Jane, envia absorventes internos de algodão especialmente desenvolvidos para voluntárias como Backlund e já analisou mais de 2 mil amostras menstruais de mais de 330 mulheres desde sua fundação, em 2014. “Você pode usar [o sangue menstrual] para investigar qualquer condição que afete o útero — e são muitas”, diz Christine Metz, bióloga reprodutiva dos Feinstein Institutes for Medical Research, da Northwell Health, nos Estados Unidos. Metz começou estudando o sangue menstrual para identificar biomarcadores de endometriose há mais de uma década, mas agora também quer entender se esse fluido pode oferecer pistas sobre outras condições, como câncer de endométrio, adenomiose — quando o revestimento do útero cresce para dentro da parede uterina — e endometrite, que é uma inflamação persistente do endométrio. “O fluxo menstrual tem muito valor para compreender a saúde do útero, algo que não conseguimos acessar por outros meios”, afirma Metz. “É um material biológico muito único.” Um estudo, por exemplo, identificou 385 proteínas encontradas exclusivamente no sangue menstrual. Além de estar disponível mensalmente, outra grande vantagem é que o sangue menstrual oferece uma visão mais completa da saúde do útero em comparação com a pequena fração de tecido retirada em uma biópsia endometrial. “O útero tem aproximadamente o tamanho de uma toranja, então uma biópsia endometrial não fornece uma avaliação global”, explica Metz, que pede às voluntárias de seus estudos que coletem amostras com um coletor menstrual. “Já o fluxo menstrual corresponde a todo o endométrio eliminado.” Uma busca por biomarcadores específicos Como o sangue menstrual foi por muito tempo negligenciado pela pesquisa científica, ainda não está claro se a endometriose possui biomarcadores exclusivos suficientemente confiáveis para um teste diagnóstico. Mas Metz e seu parceiro de pesquisa, o geneticista Peter Gregersen, já estudaram mais de 3.700 mulheres — com resultados promissores até agora. “Há muitas diferenças”, diz Metz. Para começar, mulheres com diagnóstico de endometriose têm uma quantidade muito menor de células “natural killer” uterinas — células do sistema imunológico que desempenham um papel importante no início da gravidez, ao facilitar a implantação do embrião, o desenvolvimento da placenta e a proteção contra infecções. “Elas estão ligadas à fertilidade, então ter poucas dessas células não é algo bom”, afirma Metz. A equipe dela também identificou uma diferença importante nas células fibroblásticas do estroma, que ajudam a reparar e regenerar o revestimento do útero após cada menstruação. Quando havia endometriose, essas células apresentavam mais marcadores inflamatórios e tinham menor capacidade de induzir as mudanças que preparam o útero para a gravidez. Esse último fator também tem sido associado a outras condições, como a síndrome dos ovários policísticos (SOP) e abortos recorrentes. O laboratório de Metz também descobriu que a expressão de certos genes está alterada em pacientes com endometriose. Em conjunto, essas diferenças são o que os médicos poderiam buscar em um teste diagnóstico alternativo e não invasivo baseado na análise do sangue menstrual. Metz espera solicitar aprovação da Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos, para um kit de diagnóstico domiciliar em algum momento de 2027. Já os pesquisadores da NextGen Jane estão extraindo e sequenciando o RNA mensageiro (mRNA)

Nova subvariante da Covid-19, ‘Cicada’ tem 75 mutações e já circula em 23 países; veja o que se sabe

Linhagem da Ômicron apresenta alterações na proteína Spike, mas não há indícios de maior gravidade até agora; vacinas seguem protegendo contra formas graves. Uma nova subvariante da Covid-19 já começou a circular fora do Brasil e tem sido monitorada por cientistas. Conhecida como “Cicada”, a BA.3.2 foi identificada em ao menos 23 países e se destaca pelo número elevado de mutações. Dados iniciais, no entanto, indicam que a linhagem não está associada a aumento de casos graves ou de hospitalizações, mantendo o padrão observado nas subvariantes mais recentes da Ômicron. A seguir, especialistas explicam o que é a subvariante, quais são os sintomas e o que se sabe sobre a proteção das vacinas e o risco de circulação no Brasil. Entenda o que é a subvariante ‘Cicada’ A BA.3.2 é mais uma subvariante da Ômicron, e não uma nova variante independente. Isso significa que ela faz parte de um processo contínuo de evolução do vírus, que acumula mutações para se manter em circulação. Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), explica que essa dinâmica já era esperada. Desde a chegada da Ômicron, o vírus deixou de apresentar grandes “saltos” entre variantes —como ocorreu entre Alfa, Delta e a própria Ômicron— e passou a evoluir por meio de sublinhagens. Essas mudanças seguem uma lógica adaptativa: à medida que a população desenvolve imunidade, o vírus sofre mutações que permitem escapar parcialmente dessa proteção e continuar se espalhando. O que tem de diferente na linhagem O principal diferencial da “Cicada” está na proteína Spike, estrutura usada pelo vírus para invadir as células humanas. Segundo Juarez Cunha, diretor da SBIm, a subvariante apresenta cerca de 75 mutações nessa proteína —número considerado elevado. Esse tipo de alteração pode impactar a forma como o sistema imunológico reconhece o vírus, favorecendo o chamado “escape de anticorpos”, fenômeno já observado em outras fases da pandemia. Na prática, isso pode aumentar o risco de infecção mesmo em pessoas vacinadas ou previamente infectadas, sem necessariamente significar quadros mais graves. Sintomas: há algo diferente? Até agora, não. De acordo com os especialistas ouvidos pela reportagem, o perfil clínico permanece semelhante ao das versões recentes da Ômicron, com sintomas como: Não há sinais de manifestações novas ou mais agressivas associadas à subvariante. Cunha afirma que os relatos atuais não indicam mudança no padrão da doença, que segue predominantemente leve na maioria dos casos. Vacinas continuam funcionando? Sim, especialmente contra formas graves. Mesmo com mutações que permitem algum escape imunológico, as vacinas seguem desempenhando seu papel mais importante: evitar hospitalizações e mortes. Kfouri destaca que os imunizantes nunca acompanham exatamente a versão mais recente do vírus, mas ainda assim mantêm proteção consistente contra quadros graves, geralmente entre 6 e 12 meses após a dose. Esse padrão se mantém porque todas as subvariantes atuais descendem da Ômicron, o que preserva parte da resposta imunológica induzida pelas vacinas. Há aumento de casos graves? Até o momento, não há evidências de aumento de gravidade ou de internações associadas à “Cicada”. O que se observa, em alguns países, é um possível aumento proporcional de casos em crianças —hipótese que ainda está sendo investigada e pode estar relacionada ao fato de muitas delas não terem tido contato prévio com o vírus. A variante já chegou ao Brasil? Até o último boletim disponível, não havia confirmação oficial da circulação da BA.3.2 no país. Ainda assim, especialistas consideram provável que isso aconteça. Isso porque a subvariante já demonstrou capacidade de disseminação internacional rápida, o que historicamente leva à sua introdução em diferentes regiões do mundo em pouco tempo. O que preocupa agora Mais do que a subvariante em si, o principal ponto de atenção apontado pelos especialistas é a queda na vacinação. Cunha alerta que a Covid-19 continua causando hospitalizações e mortes, especialmente entre idosos, crianças pequenas e gestantes —justamente os grupos com menor cobertura vacinal recente. Hoje, a doença tem comportamento semelhante ao de vírus respiratórios sazonais, como a influenza, mas ainda com impacto relevante na saúde pública.

Ministério da Saúde reforça compromisso com a inclusão no lançamento de campanha de autismo do Instituto Jô Clemente

Instrumento de rastreio está presente na Caderneta Digital da Criança, no Aplicativo Meu SUS Digital, desde julho de 2025 Para fortalecer as políticas de inclusão no Brasil, o Ministério da Saúde participou, nesta quarta-feira (2), data em que se celebra o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, do lançamento oficial da campanha nacional sobre Sinais de Atenção do Transtorno do Espectro Autista (TEA), promovida pelo Instituto Jô Clemente, em São Paulo. O evento reuniu autoridades do Governo Federal, do Estado e do município de São Paulo, além de especialistas e representantes da sociedade civil. A iniciativa visa informar e orientar a população sobre os sinais de atenção do TEA e estimular o diagnóstico precoce da condição. A campanha conta com apoio institucional do Ministério da Saúde. Nos próximos dias, será lançado um videocase com depoimentos sobre o tema. A campanha busca disseminar informações qualificadas sobre o TEA, combater o estigma associado à condição e apresentar estratégias integradas de cuidado. Durante o evento, foi realizado um painel de debate sobre o tema. Em vídeo exibido no evento, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reforçou o compromisso do Governo Federal com a ampliação da rede de cuidado: “Estamos estruturando uma rede cada vez mais preparada para cuidar das pessoas com Transtorno do Espectro Autista no SUS, desde a identificação precoce na atenção primária até o atendimento especializado, com equipes multidisciplinares. Esse investimento fortalece os serviços em todo o país e garante mais qualidade de vida para crianças e suas famílias”, afirmou. A secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde, Ana Estela Haddad, foi convidada a destacar o papel da saúde digital no apoio ao cuidado das pessoas com TEA. Ela agradeceu ao Instituto Jô Clemente pela importante articulação ao reunir representantes dos três entes federativos no painel, fortalecendo o diálogo e o compromisso com a inclusão. Também cumprimentou a Sra. Jô Clemente, ex-presidente da Apae em São Paulo, que dá nome ao Instituto Jô Clemente, prestes a completar 100 anos, uma grande “defensora pelos direitos das pessoas com deficiência no Brasil”. “O Ministério da Saúde avançou na incorporação do M-CHAT, instrumento de rastreio voltado à identificação precoce de sinais de TEA na infância. O questionário já está disponível na Caderneta Digital da Criança, no aplicativo Meu SUS Digital e no prontuário eletrônico e-SUS APS. A secretária também orientou a plateia a baixar gratuitamente o aplicativo Meu SUS Digital, explorar a Caderneta Digital da Criança e acessar, diretamente na plataforma, o teste de rastreio para identificação precoce de sinais do TEA.  Ela detalhou que, de forma inédita, o sistema passará a contar com uma entrevista de seguimento digital integrada ao prontuário, o M-CHAT R/F, uma etapa fundamental para qualificar o rastreio, reduzir resultados falso-positivos e aprimorar o encaminhamento para a rede especializada, responsável pelo diagnóstico e tratamento. “A ferramenta permite que o cuidado comece já nos primeiros sinais, mesmo antes da confirmação diagnóstica, garantindo intervenções mais oportunas e eficazes”. O diretor do Departamento de Atenção Especializada e Temática, Arthur Mello, detalhou o investimento de R$ 83,3 milhões e a habilitação de 59 novos serviços em todo o país, incluindo Centros Especializados em Reabilitação (CER), Oficinas Ortopédicas e transporte adaptado. O coordenador-geral de Saúde da Pessoa com Deficiência do Ministério da Saúde, Arthur Medeiros, destacou que a expansão da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência (RCPD) por meio destas novas portarias alcança 20 estados brasileiros e prevê a implantação de 19 novos Centros Especializados em Reabilitação (tipos II, III e IV), além da ampliação de três unidades com a inclusão de novas modalidades, como auditiva, intelectual, física e visual, além de 20 Centros Especializados em Reabilitação que passarão a receber incentivo adicional de 20% para ampliar o acesso e o cuidado às pessoas com TEA. Com isso, o SUS passará a contar com 361 Centros Especializados em Reabilitação (CER) em todo o país, com investimento anual superior a R$ 1 bilhão. As portarias foram assinadas pelo ministro Alexandre Padilha nesta data, reforçando a importância da identificação precoce do espectro. 

Milhões de pessoas são portadoras da bactéria causadora da tuberculose sem saber

A tuberculose continua sendo uma das principais causas de morte por infecção no mundo. Na maioria dos casos, a bactéria responsável pela doença permanece “adormecida” e não causa sintomas. Todo dia 24 de março se comemora o Dia Mundial da Tuberculose. E, no entanto, é uma data que passa quase despercebida, talvez porque muitos a vejam como uma doença do passado. Algo distante, associado a outra época, a romances ou a contextos muito específicos. Mas a realidade é muito menos confortável: a tuberculose continua sendo uma das principais causas de morte por infecção no mundo. E, surpreendentemente, coexiste silenciosamente com muitos de nós. Estima-se que uma em cada quatro pessoas no planeta tenha em seu organismo a bactéria causadora da tuberculose. Sim, uma em cada quatro. Na maioria dos casos, esse microrganismo (Mycobacterium tuberculosis) permanece “adormecido”. Não causa sintomas, não é facilmente detectada e não gera doença. É o que se conhece como infecção latente. Mas essa aparente tranquilidade é enganosa. Em determinadas circunstâncias — por exemplo, quando o sistema imune fica enfraquecido —, a bactéria pode se ativar e provocar uma doença que afeta principalmente os pulmões, mas que também pode comprometer outros órgãos. Isso significa que a tuberculose não é apenas um problema para quem adoece: é uma infecção amplamente disseminada, uma espécie de “reserva silenciosa” global que pode se reativar a qualquer momento. Em 2021, foram registrados cerca de 9,4 milhões de novos casos de tuberculose e ocorreram 1,35 milhão de mortes causadas por essa doença no mundo. São números impressionantes, mas que, por si sós, não contam toda a história. O mais importante é como eles se distribuem. A tuberculose não afeta a todos da mesma forma. Em muitos países de renda alta, a incidência da doença tem diminuído de forma sustentada nas últimas décadas. É pouco frequente, geralmente é diagnosticada precocemente e o tratamento está disponível. Por outro lado, em regiões da África, Ásia e América Latina, continua sendo uma realidade cotidiana. Nesses locais, fatores como superlotação, pobreza, desnutrição ou acesso limitado aos serviços de saúde favorecem a transmissão e a progressão da doença. Em outras palavras, a tuberculose não é apenas uma infecção: é também um reflexo das desigualdades globais. Avanços reais, mas muito lentos Seria injusto dizer que não houve progresso: houve, e é importante reconhecê-lo. Desde a década de 1990, a incidência e a mortalidade por tuberculose diminuíram globalmente. A expansão dos programas de controle, o acesso a tratamentos eficazes e o fortalecimento dos sistemas de vigilância contribuíram para esses avanços. O ritmo de melhoria, no entanto, não é suficiente. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu metas ambiciosas na estratégia “End TB”, com objetivos intermediários para 2020. Entre eles, reduzir a incidência em 20% e a mortalidade em 35% em relação a 2015. Mas o mundo não atingiu essas metas. Entre 2015 e 2020, a incidência global de tuberculose diminuiu apenas 6,3% e a mortalidade, 11,9%. Estamos avançando, mas muito mais lentamente do que o necessário. Se mantivermos esse ritmo, será muito difícil atingir as metas estabelecidas para 2035. Nem todos avançam no mesmo ritmo Além disso, o progresso tem sido desigual. Alguns países alcançaram avanços notáveis, graças a estratégias inovadoras como a busca ativa de casos, o uso de tecnologias mais rápidas de diagnóstico ou programas de apoio social para garantir que os pacientes concluam o tratamento. Mas esses exemplos continuam sendo a exceção, não a regra. Também há diferenças entre as populações. Por exemplo, dados mostram que os avanços têm sido mais rápidos em crianças, mas lentos em idosos, que correm maior risco de morrer de tuberculose. Isso é relevante porque a população mundial está envelhecendo rapidamente e porque, se não forem adotadas estratégias de controle, esse grupo poderá se tornar um foco crescente da doença. Fatores que continuam a impulsionar a doença Parte do desafio reside no fato de que a tuberculose não depende apenas da bactéria, mas também de fatores que aumentam o risco de desenvolvê-la. Entre eles destacam-se o tabagismo, o consumo de álcool e o diabetes. De fato, estimativas recentes sugerem que uma proporção significativa das mortes por tuberculose poderia ser evitada se esses fatores fossem reduzidos. Isso reforça a ideia de que a doença não pode ser abordada de forma isolada: requer uma abordagem integral que combine intervenções médicas, sociais e de saúde pública. A este cenário soma-se um problema ainda mais preocupante: a tuberculose resistente aos antibióticos. O tratamento padrão é longo e complexo, e exige adesão estrita. Quando esses tratamentos não são concluídos adequadamente, ou quando os sistemas de saúde não garantem o acesso contínuo aos medicamentos, podem surgir cepas resistentes. Essas formas de tuberculose são muito mais difíceis de tratar: exigem terapias mais prolongadas, mais caras e com mais efeitos adversos. E o mais preocupante é que já estão presentes em várias regiões do mundo. O desafio de implementar o conhecimento de forma equitativa Além dos números, a tuberculose nos fala de algo mais profundo: fala de desigualdade, de sistemas de saúde que nem sempre chegam àqueles que mais precisam, de condições de vida que facilitam a transmissão de doenças que podemos prevenir. Mas também nos fala de oportunidades. A tuberculose pode ser prevenida. É diagnosticável e tratável. Sabemos o que funciona e como reduzir seu impacto. O problema não é a falta de conhecimento, é a falta de implementação equitativa desse conhecimento. Reduzir seu impacto na América Latina, especialmente nas populações mais vulneráveis da região, exige uma resposta global coordenada, equitativa e ambiciosa. As doenças que acreditamos estarem distantes costumam ser as que mais nos surpreendem quando reaparecem. Luis Felipe Reyes não presta consultoria, trabalha, possui ações ou recebe financiamento de qualquer empresa ou organização que poderia se beneficiar com a publicação deste artigo e não revelou nenhum vínculo relevante além de seu cargo acadêmico.

“O SUS está cada vez mais ao lado das mulheres brasileiras”, diz Padilha sobre mutirão com 230 mil procedimentos

Mutirão, que ocorre simultaneamente nos 26 estados e no Distrito Federal, amplia acesso a cirurgias e procedimentos e reforça prioridade da saúde da mulher no país ministro da Saúde, Alexandre Padilha, acompanhou, neste sábado (21), o monitoramento nacional do mutirão de saúde das mulheres, maior mobilização já realizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A ação ocorre simultaneamente, até este domingo (22), nas 27 unidades federativas, com realização de cerca de 230 mil atendimentos, entre cirurgias e procedimentos ambulatoriais. A iniciativa reúne atendimentos em mais de 900 hospitais públicos, privados, universitários e filantrópicos, com foco na ampliação do acesso à saúde das mulheres. Mais de 41 mil são cirurgias e cerca de 188 mil procedimentos ambulatoriais estão previstos, em especialidades como ginecologia, oncologia, oftalmologia e ortopedia. “Nós fizemos história hoje. São milhares de mulheres que estavam esperando há meses e, em alguns casos, há anos por um procedimento, uma cirurgia ou um exame”, afirmou o ministro. A mobilização integra as ações do programa Agora Tem Especialistas, criado pelo Governo do Brasil para ampliar a capacidade de atendimento do SUS e reduzir o tempo de espera por consultas, exames e cirurgias em todo o país. Mobilização nacional O monitoramento evidencia a abrangência da ação em todo o território nacional. Em Pernambuco, um dos estados com maior adesão, está prevista a realização de mais de 25 mil procedimentos nos dois dias de mutirão, o que reflete a mobilização das equipes de saúde em diferentes regiões. “Do sertão ao litoral, acompanhamos de perto o trabalho das equipes e vimos a força do SUS na vida das mulheres”, destacou a secretária Estadual de Saúde de Pernambuco, Zilda Cavalcanti.  No Ceará, a mobilização também ganhou escala, com oferta de 31,7 mil procedimentos. “O país inteiro se mobilizou para esse mutirão. A ação leva dignidade e acesso à saúde para quem mais precisa”, afirmou o secretário de Atenção Especializada em Saúde, Mozart Sales. A rede filantrópica participou da ação neste sábado com mais de 300  hospitais em todo o país, ampliando a capacidade de atendimento do SUS. “É uma adesão muito importante, que reforça o papel das Santas Casas e dos hospitais filantrópicos no atendimento à população e no fortalecimento do SUS”, afirmou Flaviano Feu Ventorim, presidente da Confederação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos (CMB) . Em São Paulo, a previsão é de mais de 23 mil atendimentos, com ampliação da estrutura e apoio de unidades móveis. “Estamos muito satisfeitos em participar da iniciativa e em ampliar o acesso da população aos atendimentos especializados”, disse a secretária de Informação e Saúde Digital, Ana Estela Haddad. Já no Pará, o mutirão soma quase 14 mil procedimentos, incluindo cirurgias. “Estamos comemorando esse resultado tão significativo para o estado, com quase 14 mil procedimentos realizados”, afirmou a assessora técnica da Secretaria de Atenção Especializada, Lena Peres.  Distrito Federal No Distrito Federal, o mutirão também mobiliza unidades estratégicas da rede pública. Neste sábado, o ministro Alexandre Padilha participou da abertura da ação no Hospital Universitário de Brasília (HUB), uma das unidades participantes. Durante a agenda, Padilha acompanhou os atendimentos, visitou pacientes e conversou com médicos, enfermeiros e demais profissionais envolvidos na ação. Ao longo da manhã, percorreu diferentes setores da unidade, observando a realização de consultas, exames e procedimentos cirúrgicos. O ministro também esteve com mulheres em acompanhamento oncológico, reforçando a importância do diagnóstico precoce e da continuidade do cuidado no SUS. O HUB ampliou a capacidade de atendimento durante o mutirão, com  oferta de consultas especializadas, exames e cirurgias. Entre os serviços disponibilizados, está implanon, implante contraceptivo subdérmico, que é uma das inovações incorporadas nesta edição da ação. Ao todo, estão previstos 1.338 atendimentos no Distrito Federal, sendo 721 cirurgias e 617 procedimentos ambulatoriais, com foco principalmente nas áreas de ginecologia, oncologia e planejamento reprodutivo. A ação reforça a prioridade das políticas públicas voltadas à saúde da mulher no SUS, especialmente no mês de março, marcado por iniciativas de ampliação do acesso e fortalecimento do cuidado integral. “O SUS estará cada vez mais ao lado das mulheres brasileiras”, concluiu o ministro. 

Amazonas tem primeira turma de mestrado para enfermeiros indígenas do país

Programa em São Gabriel da Cachoeira, no Alto do Rio Negro, tem financiamento do Profen, programa de fomento à pós-graduação em Enfermagem, desenvolvido pelo Cofen em cooperação com a CAPES/MEC São Gabriel da Cachoeira, no Alto Rio Negro, tem a primeira turma de mestrado profissional voltada exclusivamente para enfermeiros indígenas. A aula inaugural aconteceu nesta quarta (18/3), com dez enfermeiros indígenas que atuam no munícipio, que tem o maior percentual de indígenas do Brasil. O curso é ofertado pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem no Contexto Amazônico da Escola de Enfermagem de Manaus pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). A proposta foi contemplada por edital de financiamento do Sistema Conselho Federal de Enfermagem/Conselhos Regionais, por meio do Profen, programa do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) que destina recursos para programas de pós-graduação, por meio da parceria com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes/MEC) A iniciativa busca integrar a formação científica da Enfermagem aos conhecimentos tradicionais dos povos indígenas, promovendo uma abordagem que considera aspectos culturais, territoriais e sociais no cuidado em saúde. Em São Gabriel, 9 em cada 10 habitantes são indígenas de 23 etnias. A região do Alto Rio Negro concentra mais de 85 enfermeiros indígenas em atividade, o que contribuiu para a construção da proposta do curso. Representando o sistema Cofen/Conselhos Regionais, o diretor-secretário do Coren-AM, Zilmar Augusto, destacou a importância da iniciativa para a interiorização da formação profissional. “Nós não iremos retirar esses profissionais de seus territórios. Pelo contrário, o corpo docente do programa é que se deslocará até o município, garantindo que essa formação aconteça dentro da realidade local, sem afastá-los de suas comunidades”, afirmou. Zilmar também ressaltou o caráter simbólico da iniciativa. “Estamos diante de um marco histórico para a Enfermagem brasileira, especialmente para a Enfermagem amazônica, ao reconhecer que a ciência precisa dialogar com os saberes tradicionais e as realidades dos povos originários”, completou. Além da UFAM e do Sistema Cofen/Conselhos Regionais, a iniciativa conta com a participação de instituições parceiras, como Instituto Federal do Amazonas de São Gabriel da Cachoeira, o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Alto Rio Negro, organizações indígenas (FOIRN) e gestores locais. Profen O Profen é o maior programa de fomento de mestrado e doutorado profissional em Enfermagem do Brasil. Lançada em 2025, a quarta edição da iniciativa vai contemplar 420 vagas de mestrado profissional e 80 vagas de doutorado profissional em cinco anos. O programa “Tecnologia e inovação para a gestão e cuidado de Enfermagem intercultural: integração dos conhecimentos indígenas e ocidental”, coordenado pelo professor Esron Rocha, foi um dos contemplados no 4º edital. Até 2024, o Cofen já havia financiado 500 vagas de mestrado profissional. Em uma década, serão 1.000 enfermeiros enfermeiras com pesquisas de mestrado e doutorado financiadas exclusivamente pelo Cofen. “Esse programa é o símbolo do nosso compromisso com o desenvolvimento social, científico e econômico da Enfermagem, especialmente para o atendimento das demandas complexas de saúde da sociedade brasileira e do Sistema Único de Saúde (SUS)”, afirma o presidente do Cofen, Manoel Neri. Em um marco para o desenvolvimento científico da Amazônia Legal, o Profen vai financiar três programas de doutorado profissional em Enfermagem, antes inexistentes na região Norte.

Teste rápido é fundamental para erradicar tuberculose, afirma OMS

Tuberculose mata 3,3 mil pessoas por dia no mundo. OMS defende a ampliação dos testes rápidos na atenção primária, que podem ser realizados por profissionais de Enfermagem, como uma das estratégias essenciais de controle 10,7 milhões de pessoas contraíram tuberculose em 2024. A doença, que continua afetando principalmente populações mais vulneráveis, mata mais de 3,3 mil pessoas por dia no mundo, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS).  “Os esforços globais para combater a tuberculose salvaram cerca de 83 milhões de vidas desde 2000; no entanto, os cortes no financiamento global da saúde ameaçam reverter esses avanços, afirma a OMS, em nota. Campanha lançada pela entidade neste 24 de março, Dia Mundial de Combate à Tuberculose, busca mobilizar países para o enfrentamento da doença. Novas tecnologias, como testes portáteis e de baixo custo, têm potencial para reduzir de forma drástica a transmissão, na avaliação da OMS. Desde 2021, testes rápidos molecuares são indicados pela OMS para também para rastreamento. “Esses testes portáteis e fáceis de usar aproximam o diagnóstico da tuberculose dos locais onde as pessoas normalmente buscam atendimento”, afirma a OMS. Utilizados para triagem, os testes rápidos são de fácil execução, não exigem infraestrutural laboratorial, podendo ser realizados por enfermeiros e técnicos de Enfermagem. Os enfermeiros podem solicitar o Teste Rápido Molecular (TRM-TB) e o teste IGRA para diagnóstico de tuberculose e infecção latente (ILTB), além de prescrever tratamento no âmbito de protocolos adotados nas instituições de Saúde. A tuberculose é transmitida pelo ar, principalmente quando uma pessoa infectada tosse, espirra ou cospe. A doença  pode se espalhar de forma silenciosa. Os sintomas — como tosse persistente, febre, perda de peso e cansaço — tendem a se iniciar de forma leve e prolongada. Nesse cenário, a atuação dos profissionais de Enfermagem na APS é fundamental para diagnóstico precoce, que pode salvar vidas e reduzir a disseminação da doença. Enfrentar a pobreza e vulnerabilidade também tem impacto direto na redução da doença, com forte determinação social. Municípios brasileiros com alta cobertura do Programa Bolsa Família apresentam coeficientes de incidência da tuberculose menor que aqueles municípios com baixa cobertura. Estudos também indicam que as pessoas que recebem cesta básica durante o tratamento apresentam maior probabilidade de cura e menor probabilidade de abandono. Brasil: Mortes por tuberculose acendem alerta O tratamento gratuito para tuberculose está disponível do APS. Controlada e em tratamento, a doença deixa de ser transmissível. Apesar disso, o Brasil registrou 85.936 novos casos em 2024 e teve 6025 mortes confirmadas em 2023, conforme o Boletim Epidemiológico do MS. O aumento dos casos, durante a pandemia, ainda não se reverteu totalmente. “Morte por tuberculose é um evento sentinela, que indica falhas no acesso ao diagnóstico e ao cuidado”, explica o enfermeiro Vencelau Pantoja, conselheiro do Cofen, que defende a ampliação da testagem rápida, aliada a políticas sociais e ao fortalecimento da atenção primária, é considerada essencial para interromper a transmissão e avançar no controle da doença. A adesão ao tratamento também é essencial para reduzir casos de tuberculose multirresistente, em alta. Sim! Podemos acabar com a tuberculose Neste ano, a campanha global traz o tema “Sim! Podemos acabar com a tuberculose”. Com o slogan “Liderado por países, empoderado por pessoas”, campanha é mobilizar governos e sociedade civil para ampliar a conscientização e acelerar ações de enfrentamento à doença. No Brasil, a tuberculose afeta sobretudo adultos, com predomínio do sexo masculino e grupos de alta vulnerabilidade social. O perfil etário reflete a alta cobertura da vacina BCG (Bacilo de Calmette-Guérin), altamente eficaz contra tuberculose meníngea e miliar (disseminada), mais comum em crianças pequenas e pessoas imunossuprimidas.  Acesse o protocolo de Enfermagem para abordagem Tuberculose na Atenção Primária à Saúde.

Mais de 2,5 mil profissionais do SUS já estão preparados para apoiar o desenvolvimento infantil na Atenção Primária

Curso segue aberto para qualificar profissionais de saúde que atuam no cuidado às crianças e famílias Profissionais de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) podem se inscrever na formação Cuidados para o Desenvolvimento da Criança na Atenção Primária à Saúde, iniciativa que qualifica equipes para orientar famílias sobre vínculo, brincadeiras e estímulos importantes nos primeiros anos de vida. Até o momento, mais de 2,5 mil profissionais do SUS já estão preparados para aplicar a metodologia nas unidades básicas de saúde. Eles foram qualificados na abordagem Cuidados para o Desenvolvimento da Criança (CDC), voltada ao fortalecimento do vínculo entre cuidadores e crianças e à promoção do desenvolvimento infantil. A iniciativa integra o projeto CDC-APS, que qualifica profissionais da Atenção Primária à Saúde para aprimorar orientações sobre desenvolvimento infantil nas consultas, nas visitas domiciliares e no acompanhamento das famílias. O curso é gratuito, realizado na modalidade online e possui carga horária de 30 horas, com inscrições disponíveis em fluxo contínuo até fevereiro de 2027. Podem participar profissionais de nível superior que atuam na Atenção Primária, como médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos. Mudanças na prática do cuidado Os resultados da implementação foram apresentados em um workshop que reuniu gestores, especialistas e profissionais da rede para discutir os avanços da iniciativa no país e os próximos passos para sua expansão. “A formação alcançou todas as regiões do país e consolidou 364 tutores. Além do alcance quantitativo, avaliações pré e pós-teste indicam aumento significativo do conhecimento dos profissionais sobre desenvolvimento infantil, vínculo, saúde mental do cuidador e prevenção da violência, além de redução na omissão desses temas na prática clínica”, destaca explica a coordenadora de Atenção à Saúde da Criança e do Adolescente do Ministério da Saúde, Sonia Venancio. Segundo a equipe responsável pela iniciativa, já é possível observar mudanças no cuidado oferecido pelas equipes da Atenção Primária. Entre elas estão maior uso da Caderneta da Criança como ferramenta educativa, incorporação mais sistemática da vigilância do desenvolvimento infantil nas consultas e uma postura clínica mais centrada no cuidador e no vínculo. Também foi registrado aumento de até 40% na abordagem de temas como brincadeiras, vínculo e prevenção da violência, além de maior orientação às famílias sobre o uso de telas. Essas mudanças ajudam as equipes de saúde a acompanhar não apenas o crescimento físico das crianças, mas também aspectos importantes do desenvolvimento emocional, cognitivo e social. 

Anvisa alerta para risco de grave dano ao fígado ligado a suplementos de cúrcuma; entenda

Agência determinou inclusão de avisos de segurança em bulas e vai reavaliar uso da substância em suplementos alimentares. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta de farmacovigilância sobre o risco raro de inflamação e danos ao fígado associados ao uso de medicamentos e suplementos alimentares que contêm cúrcuma —também conhecida como açafrão. A decisão foi tomada após avaliações internacionais identificarem casos suspeitos de intoxicação hepática em pessoas que utilizaram produtos com cúrcuma ou curcuminoides, especialmente em cápsulas ou extratos concentrados. Segundo a agência, o problema está ligado principalmente a formulações desenvolvidas para aumentar a absorção da curcumina —principal composto ativo da cúrcuma— fazendo com que o organismo receba doses muito maiores do que aquelas obtidas no consumo alimentar. Autoridades regulatórias de países como Itália, Austrália, Canadá e França já haviam emitido alertas semelhantes após registrarem casos de problemas hepáticos associados ao consumo desses suplementos. Na França, por exemplo, a Agência Nacional de Segurança Sanitária da Alimentação, do Meio Ambiente e do Trabalho (ANSES, na sigla em francês) identificou dezenas de relatos de efeitos adversos ligados ao consumo de suplementos contendo cúrcuma ou curcumina, incluindo episódios de hepatite. Doses elevadas e uso sem orientação De acordo com Pedro Bertevello, cirurgião do aparelho digestivo da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, os casos de lesão hepática tendem a ocorrer principalmente quando os produtos são usados em doses altas ou sem orientação médica. Segundo ele, muitas pessoas acreditam que suplementos naturais são totalmente seguros e acabam aumentando a quantidade por conta própria. “Existem doses consideradas seguras para o uso dessas substâncias. O problema é que muitas pessoas tentam potencializar os efeitos e acabam consumindo quantidades muito maiores do que o necessário”, afirma. O médico explica que a falta de padronização na concentração dos produtos também pode contribuir para o risco. “Nem sempre há uma regulação clara da concentração dessas substâncias. Muitas pessoas compram suplementos sem conhecer bem a procedência ou a dose real do produto”, diz. Como suplementos de cúrcuma podem afetar o fígado A cúrcuma é uma planta usada há séculos como tempero e também em preparações medicinais. O principal composto ativo é a curcumina, substância com propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes. No entanto, nos suplementos alimentares a curcumina costuma aparecer em doses muito mais altas do que aquelas consumidas na alimentação. Além disso, muitas formulações incluem substâncias ou tecnologias que aumentam a absorção da curcumina pelo organismo —como a piperina, presente na pimenta-preta. Isso faz com que uma quantidade muito maior do composto seja metabolizada pelo fígado, órgão responsável por processar e eliminar diversas substâncias presentes no sangue. Em algumas pessoas, esse processo pode desencadear uma reação inflamatória nas células hepáticas, levando a um quadro conhecido como hepatite medicamentosa —um tipo de lesão hepática induzida por substâncias químicas ou medicamentos. Segundo Bertevello, o risco costuma estar associado ao uso de doses elevadas ou à combinação com outros medicamentos. “Quando investigamos melhor esses casos, muitas vezes encontramos pessoas que usam várias substâncias ao mesmo tempo ou que aumentam a dose por conta própria, acreditando que por ser natural não haverá efeitos no organismo”, afirma. Ele destaca que essas reações são consideradas raras, mas podem ocorrer principalmente em pessoas que usam doses muito altas, produtos de procedência desconhecida ou combinações com outros medicamentos que sobrecarregam o fígado. Uso culinário não oferece risco A Anvisa destaca que o alerta não se aplica ao uso da cúrcuma na alimentação. O pó utilizado na culinária —comum em temperos e pratos como curries— é considerado seguro, já que as quantidades consumidas na dieta são muito menores do que as presentes em suplementos concentrados. Sintomas que podem indicar problema no fígado A agência orienta que usuários desses produtos procurem avaliação médica caso apresentem sinais compatíveis com possível lesão hepática, como: A recomendação é interromper imediatamente o uso e procurar atendimento de saúde caso esses sintomas apareçam. Eventos adversos podem ser comunicados aos sistemas de monitoramento da Anvisa: o VigiMed, voltado para medicamentos, e o e-Notivisa, utilizado para registrar problemas relacionados a suplementos e outros produtos. Como medida preventiva, a agência determinou a atualização das bulas de medicamentos que contêm cúrcuma, incluindo avisos de segurança. Entre eles estão os produtos Motore e Cumiah. No caso dos suplementos alimentares, a Anvisa informou que abrirá um processo de reavaliação do uso dessas substâncias, além de exigir a inclusão de advertências obrigatórias sobre possíveis efeitos adversos nos rótulos.

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