Mais de 2,5 mil profissionais do SUS já estão preparados para apoiar o desenvolvimento infantil na Atenção Primária

Curso segue aberto para qualificar profissionais de saúde que atuam no cuidado às crianças e famílias Profissionais de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) podem se inscrever na formação Cuidados para o Desenvolvimento da Criança na Atenção Primária à Saúde, iniciativa que qualifica equipes para orientar famílias sobre vínculo, brincadeiras e estímulos importantes nos primeiros anos de vida. Até o momento, mais de 2,5 mil profissionais do SUS já estão preparados para aplicar a metodologia nas unidades básicas de saúde. Eles foram qualificados na abordagem Cuidados para o Desenvolvimento da Criança (CDC), voltada ao fortalecimento do vínculo entre cuidadores e crianças e à promoção do desenvolvimento infantil. A iniciativa integra o projeto CDC-APS, que qualifica profissionais da Atenção Primária à Saúde para aprimorar orientações sobre desenvolvimento infantil nas consultas, nas visitas domiciliares e no acompanhamento das famílias. O curso é gratuito, realizado na modalidade online e possui carga horária de 30 horas, com inscrições disponíveis em fluxo contínuo até fevereiro de 2027. Podem participar profissionais de nível superior que atuam na Atenção Primária, como médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos. Mudanças na prática do cuidado Os resultados da implementação foram apresentados em um workshop que reuniu gestores, especialistas e profissionais da rede para discutir os avanços da iniciativa no país e os próximos passos para sua expansão. “A formação alcançou todas as regiões do país e consolidou 364 tutores. Além do alcance quantitativo, avaliações pré e pós-teste indicam aumento significativo do conhecimento dos profissionais sobre desenvolvimento infantil, vínculo, saúde mental do cuidador e prevenção da violência, além de redução na omissão desses temas na prática clínica”, destaca explica a coordenadora de Atenção à Saúde da Criança e do Adolescente do Ministério da Saúde, Sonia Venancio. Segundo a equipe responsável pela iniciativa, já é possível observar mudanças no cuidado oferecido pelas equipes da Atenção Primária. Entre elas estão maior uso da Caderneta da Criança como ferramenta educativa, incorporação mais sistemática da vigilância do desenvolvimento infantil nas consultas e uma postura clínica mais centrada no cuidador e no vínculo. Também foi registrado aumento de até 40% na abordagem de temas como brincadeiras, vínculo e prevenção da violência, além de maior orientação às famílias sobre o uso de telas. Essas mudanças ajudam as equipes de saúde a acompanhar não apenas o crescimento físico das crianças, mas também aspectos importantes do desenvolvimento emocional, cognitivo e social. 

Anvisa alerta para risco de grave dano ao fígado ligado a suplementos de cúrcuma; entenda

Agência determinou inclusão de avisos de segurança em bulas e vai reavaliar uso da substância em suplementos alimentares. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta de farmacovigilância sobre o risco raro de inflamação e danos ao fígado associados ao uso de medicamentos e suplementos alimentares que contêm cúrcuma —também conhecida como açafrão. A decisão foi tomada após avaliações internacionais identificarem casos suspeitos de intoxicação hepática em pessoas que utilizaram produtos com cúrcuma ou curcuminoides, especialmente em cápsulas ou extratos concentrados. Segundo a agência, o problema está ligado principalmente a formulações desenvolvidas para aumentar a absorção da curcumina —principal composto ativo da cúrcuma— fazendo com que o organismo receba doses muito maiores do que aquelas obtidas no consumo alimentar. Autoridades regulatórias de países como Itália, Austrália, Canadá e França já haviam emitido alertas semelhantes após registrarem casos de problemas hepáticos associados ao consumo desses suplementos. Na França, por exemplo, a Agência Nacional de Segurança Sanitária da Alimentação, do Meio Ambiente e do Trabalho (ANSES, na sigla em francês) identificou dezenas de relatos de efeitos adversos ligados ao consumo de suplementos contendo cúrcuma ou curcumina, incluindo episódios de hepatite. Doses elevadas e uso sem orientação De acordo com Pedro Bertevello, cirurgião do aparelho digestivo da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, os casos de lesão hepática tendem a ocorrer principalmente quando os produtos são usados em doses altas ou sem orientação médica. Segundo ele, muitas pessoas acreditam que suplementos naturais são totalmente seguros e acabam aumentando a quantidade por conta própria. “Existem doses consideradas seguras para o uso dessas substâncias. O problema é que muitas pessoas tentam potencializar os efeitos e acabam consumindo quantidades muito maiores do que o necessário”, afirma. O médico explica que a falta de padronização na concentração dos produtos também pode contribuir para o risco. “Nem sempre há uma regulação clara da concentração dessas substâncias. Muitas pessoas compram suplementos sem conhecer bem a procedência ou a dose real do produto”, diz. Como suplementos de cúrcuma podem afetar o fígado A cúrcuma é uma planta usada há séculos como tempero e também em preparações medicinais. O principal composto ativo é a curcumina, substância com propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes. No entanto, nos suplementos alimentares a curcumina costuma aparecer em doses muito mais altas do que aquelas consumidas na alimentação. Além disso, muitas formulações incluem substâncias ou tecnologias que aumentam a absorção da curcumina pelo organismo —como a piperina, presente na pimenta-preta. Isso faz com que uma quantidade muito maior do composto seja metabolizada pelo fígado, órgão responsável por processar e eliminar diversas substâncias presentes no sangue. Em algumas pessoas, esse processo pode desencadear uma reação inflamatória nas células hepáticas, levando a um quadro conhecido como hepatite medicamentosa —um tipo de lesão hepática induzida por substâncias químicas ou medicamentos. Segundo Bertevello, o risco costuma estar associado ao uso de doses elevadas ou à combinação com outros medicamentos. “Quando investigamos melhor esses casos, muitas vezes encontramos pessoas que usam várias substâncias ao mesmo tempo ou que aumentam a dose por conta própria, acreditando que por ser natural não haverá efeitos no organismo”, afirma. Ele destaca que essas reações são consideradas raras, mas podem ocorrer principalmente em pessoas que usam doses muito altas, produtos de procedência desconhecida ou combinações com outros medicamentos que sobrecarregam o fígado. Uso culinário não oferece risco A Anvisa destaca que o alerta não se aplica ao uso da cúrcuma na alimentação. O pó utilizado na culinária —comum em temperos e pratos como curries— é considerado seguro, já que as quantidades consumidas na dieta são muito menores do que as presentes em suplementos concentrados. Sintomas que podem indicar problema no fígado A agência orienta que usuários desses produtos procurem avaliação médica caso apresentem sinais compatíveis com possível lesão hepática, como: A recomendação é interromper imediatamente o uso e procurar atendimento de saúde caso esses sintomas apareçam. Eventos adversos podem ser comunicados aos sistemas de monitoramento da Anvisa: o VigiMed, voltado para medicamentos, e o e-Notivisa, utilizado para registrar problemas relacionados a suplementos e outros produtos. Como medida preventiva, a agência determinou a atualização das bulas de medicamentos que contêm cúrcuma, incluindo avisos de segurança. Entre eles estão os produtos Motore e Cumiah. No caso dos suplementos alimentares, a Anvisa informou que abrirá um processo de reavaliação do uso dessas substâncias, além de exigir a inclusão de advertências obrigatórias sobre possíveis efeitos adversos nos rótulos.

Mortes por álcool entre mulheres crescem 20% no Brasil em 10 anos e internações sobem 41%, aponta CISA

Consumo abusivo feminino aumentou no país e passou de 9,2% para 15,7% em menos de duas décadas; especialistas alertam para maior vulnerabilidade biológica e impactos que atingem várias fases da vida. O consumo abusivo de álcool entre mulheres aumentou no Brasil na última década e vem acompanhado de um crescimento expressivo de problemas de saúde relacionados à bebida. Dados do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA) mostram que as mortes atribuíveis ao álcool entre brasileiras cresceram 20% entre 2013 e 2023, enquanto as internações aumentaram 41% entre 2014 e 2024. O avanço preocupa especialistas porque as mulheres são biologicamente mais vulneráveis aos efeitos da substância — e os impactos podem acompanhar praticamente todas as fases da vida. Além disso, o consumo abusivo também vem aumentando. Segundo o levantamento do Vigitel de 2006 a 2024, a proporção de mulheres que relataram episódios de consumo excessivo de álcool passou de 9,2% para 15,7% no país. Os homens ainda bebem mais álcool que as mulheres, mas houve uma aproximação entre os padrões de consumo. Segundo a doutora em sociologia e coordenadora do CISA – Centro de Informações sobre Saúde e Álcool, Mariana Thibes, isso está ligado a mudanças sociais importantes, como maior participação feminina no mercado de trabalho e à redução do estigma em relação ao consumo feminino, ampliando a aceitabilidade social de beber em contextos públicos e sociais. “Diversas pesquisas também apontam níveis elevados de estresse e sobrecarga associados à maior prevalência de ansiedade, depressão ou sofrimento psicológico. Em alguns estudos, o álcool aparece como mecanismo para lidar com essas pressões”, complementa Thibes. Crescimento de mortes e internações A análise do CISA, baseada em dados do Datasus, mostra que o aumento dos danos relacionados ao álcool tem sido mais intenso entre mulheres do que entre homens. Enquanto entre elas houve crescimento tanto das mortes quanto das internações, entre os homens foi observado aumento apenas nas hospitalizações — e em ritmo significativamente menor. Para especialistas, o cenário reforça a necessidade de ampliar o debate sobre os impactos do álcool na saúde feminina. “Falar sobre o impacto do uso nocivo de álcool por mulheres não é moralismo, é uma questão de saúde pública. Elas possuem maior vulnerabilidade biológica, por terem menos quantidade de água no corpo e menos enzimas que metabolizam a substância. Isso significa que as mulheres desenvolvem problemas relacionados ao álcool mais cedo e com menor Apesar das evidências científicas, muitas pessoas ainda desconhecem que o organismo feminino reage de forma diferente ao álcool. Uma pesquisa do Ipec com adultos de 18 a 34 anos, realizada a pedido do CISA em 2023, mostrou que homens e mulheres entrevistados não sabiam da maior vulnerabilidade fisiológica das mulheres ao álcool e demonstraram resistência a essa informação. Segundo Haddad, ampliar o conhecimento sobre o tema é essencial para a prevenção. “O conhecimento é uma importante ferramenta de prevenção. Precisamos que, especialmente as mulheres, conheçam os impactos do álcool em sua saúde para fazerem escolhas mais saudáveis”, afirma. Efeitos podem ocorrer ao longo de toda a vida Os impactos do álcool na saúde feminina podem aparecer em diferentes fases da vida. Entre mulheres em idade reprodutiva, o consumo pode alterar o ciclo menstrual, afetar a ovulação e reduzir as chances de concepção, além de trazer prejuízos à saúde do feto. Durante a perimenopausa e a menopausa, a bebida pode intensificar sintomas comuns dessa fase, como ondas de calor, sudorese noturna, alterações de humor e piora do sono, além de provocar mudanças no equilíbrio hormonal. Já na pós-menopausa, a combinação entre a queda natural do estrogênio e o consumo de álcool pode prejudicar a absorção de cálcio, elevar a pressão arterial e interferir no metabolismo hormonal, influenciando a progressão de doenças relacionadas a hormônios. Associação com doenças graves O uso de álcool por mulheres também está relacionado a uma série de doenças. Entre os problemas citados por especialistas estão doenças hepáticas mais graves, problemas cardiovasculares e transtornos mentais, como depressão e ansiedade. Outro risco importante é o câncer de mama. Evidências científicas indicam que cada 10 gramas de álcool consumidos por dia aumentam em cerca de 7% o risco da doença. Mesmo níveis considerados de baixo risco — entre uma e duas doses diárias — podem elevar esse risco entre 30% e 50%. Maior exposição a situações de risco Além dos efeitos sobre a saúde física e mental, o consumo de álcool também pode aumentar a exposição das mulheres a situações de violência. A coordenadora do CISA e doutora em sociologia Mariana Thibes destaca que homens e mulheres reconhecem esse impacto. Segundo a pesquisa Ipec de 2023, os entrevistados apontaram que o álcool aumenta a suscetibilidade feminina a episódios de violência, como abuso e assédio. “O álcool reduz a percepção de risco, o que aumenta a vulnerabilidade a acidentes, sexo inseguro e situações de violência doméstica e sexual”, afirma.

Ministério da Saúde amplia investimentos e anuncia avanços no tratamento de doenças raras no Brasil

O Ministério da Saúde anunciou um pacote de investimentos e ações para melhorar o diagnóstico e o tratamento de doenças raras no Brasil, com foco em acelerar o acesso, ampliar a rede de atendimento e desenvolver novas terapias no país O cuidado com doenças raras no Brasil está passando por um momento importante de transformação. O Ministério da Saúde anunciou um novo pacote de investimentos e ações estratégicas que prometem melhorar significativamente o diagnóstico, o tratamento e o acompanhamento de milhões de brasileiros que convivem com essas condições. Um dos principais avanços é a incorporação do Sequenciamento Completo do Exoma (WES) ao Sistema Único de Saúde (SUS). Trata-se de um exame genético de alta complexidade, capaz de identificar até 90% das doenças raras de origem genética. Até então, muitos pacientes enfrentavam uma longa jornada em busca de diagnóstico, que podia levar até sete anos. Com a novidade, a expectativa é que esse tempo seja reduzido para cerca de seis meses, permitindo um início mais rápido e eficaz do tratamento. Além disso, um exame que pode custar até R$ 5 mil na rede privada passa a ser oferecido gratuitamente pelo SUS, ampliando o acesso à população. Outro ponto de destaque é a expansão da rede de atendimento especializado. O governo prevê a criação de novos centros de referência, aumentando a capacidade de atendimento em diversas regiões do país. Com isso, a proposta é reduzir desigualdades regionais e garantir que mais pacientes tenham acesso a serviços especializados sem a necessidade de grandes deslocamentos. O uso do exame genético também será integrado ao teste do pezinho, um dos principais exames realizados em recém-nascidos. Essa integração permitirá diagnósticos mais rápidos e precisos ainda nos primeiros dias de vida, o que é fundamental para o início precoce do tratamento e para a melhoria da qualidade de vida das crianças. Além do diagnóstico, o investimento em pesquisa e inovação também ganha destaque. O Ministério da Saúde está destinando recursos para o desenvolvimento de terapias gênicas no Brasil, em parceria com instituições como a Fiocruz. Essas terapias representam uma das maiores inovações da medicina moderna, com potencial para tratar doenças raras diretamente em sua causa genética. A produção nacional desses tratamentos pode reduzir significativamente os custos — em até 80% — além de diminuir a dependência de medicamentos importados. O SUS também já vem avançando na incorporação de tratamentos de ponta, como o Zolgensma, considerado um dos medicamentos mais caros do mundo, utilizado no tratamento da Atrofia Muscular Espinhal (AME). Para viabilizar sua oferta, foi adotado um modelo inovador de pagamento baseado nos resultados clínicos dos pacientes, o que representa um marco na gestão pública de medicamentos de alto custo. Essas ações são fundamentais diante de um cenário em que cerca de 13 milhões de brasileiros convivem com doenças raras, sendo a maioria de origem genética. O novo plano do governo busca não apenas reduzir o tempo de diagnóstico e ampliar o acesso ao tratamento, mas também fortalecer a capacidade científica e tecnológica do país. Com isso, o Brasil dá um passo importante rumo a um sistema de saúde mais eficiente, inclusivo e preparado para lidar com os desafios das doenças raras, oferecendo mais esperança e qualidade de vida para milhões de pacientes e suas famílias.

Anvisa determina recolhimento de antibiótico após troca de frascos em lote

Medida atinge o lote 111770C do Kefadim; frascos de outro antibiótico foram inseridos na embalagem errada, o que pode levar a erro de medicação em hospitais. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento e a suspensão imediata da comercialização, distribuição e uso de um lote do antibiótico injetável Kefadim após confirmar uma falha no processo de embalagem que resultou na troca de medicamentos dentro das caixas. A decisão atinge o lote 111770C do produto Kefadim 1 g pó para solução injetável, fabricado pela empresa Antibióticos do Brasil Ltda. Falha no processo de embalagem levou à troca de princípios ativos Segundo a Anvisa, foi confirmada a presença do medicamento Kefazol (cefazolina sódica) 1 g dentro de embalagens rotuladas como Kefadim (ceftazidima pentaidratada) 1 g. No texto da resolução, o órgão registra: “Confirmação do desvio de qualidade relativo à falha no processo de embalagem que culminou com o produto Kefazol (cefazolina sódica) 1g do lote 111770C em embalagem do produto Kefadim (ceftazidima pentaidratada) 1g”. Embora ambos sejam antibióticos injetáveis, tratam-se de substâncias diferentes, indicadas para perfis distintos de infecção. Risco envolve possível erro de medicação em ambiente hospitalar A troca representa risco potencial de erro de medicação, especialmente em hospitais, onde os antibióticos são administrados por via intravenosa ou intramuscular, muitas vezes em pacientes com quadros infecciosos graves. Caso o profissional de saúde utilize o conteúdo acreditando tratar-se de ceftazidima, mas na prática esteja administrando cefazolina, pode haver: A Anvisa classificou o caso como desvio de qualidade e determinou o recolhimento preventivo. Hospitais, clínicas e demais estabelecimentos devem interromper imediatamente o uso do lote 111770C, isolar o estoque e seguir as orientações da fabricante para devolução. Ao g1, a Antibióticos do Brasil afirma que a publicação “refere-se a uma queixa pontual, já analisada e respondida pela empresa, com a devida identificação da causa e implementação imediata de medidas preventivas”. Veja nota na íntegra: “A ocorrência envolveu uma divergência de rotulagem em um único frasco, sem qualquer impacto ao conteúdo do medicamento, que estava correto. O produto foi prontamente identificado e recolhido, sem uso em pacientes. Não há registro de eventos adversos ou de novas ocorrências relacionadas ao caso. A ABL mantém rigorosos controles de qualidade e segurança em seus processos e segue em alinhamento com a Anvisa, reafirmando seu compromisso com a segurança dos pacientes, a qualidade de seus produtos e a transparência.”

Equipes de saúde indígena e EpiSUS reforçam atendimento a crianças com suspeita de coqueluche no território Yanomami

Profissionais estão na região desde segunda-feira (16/02), realizando busca ativa por pacientes e reforçando a vacinação do público infantil Ministério da Saúde enviou, de forma emergencial, nessa segunda-feira (16/02), equipe de saúde com médico, técnico de enfermagem, enfermeiro e socorrista para aumentar o número de profissionais que atuam no polo base da região de Surucucu, na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. Esses profissionais foram acompanhados de especialistas do Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do SUS (EpiSUS), com experiência na contenção de possíveis surtos ou aumento de casos de doenças infecciosas. O Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami confirmou oito casos de coqueluche na região, com três óbitos.  Esse time se junta às equipes do DSEI Yanomami que já estão em Surucucu fazendo buscas ativas por novos casos, coletando material para análises clínicas e reforçando a vacinação em todas as crianças de aldeias adjacentes. Ao todo, são cerca de 50 profissionais no território atuando na prevenção de novos casos e assistência local. O falecimento de três crianças segue em investigação pelos órgãos competentes, segundo informações de terça-feira (17). As demais crianças que tiveram o diagnóstico confirmado foram levadas para hospitais em Boa Vista (RR). Duas delas já tiveram alta e voltaram para suas respectivas aldeias. Todos os pacientes suspeitos de coqueluche e as pessoas que tiveram contato estão em tratamento e com acompanhamento. No DSEI Yanomami, o Esquema Vacinal Completo (EVC) das crianças com menos de um ano de idade e aquelas menores de cinco anos apresentou evolução expressiva. Em 2022, 29,8% das crianças menores de um ano tinha o esquema vacinal completo. Esse dado evoluiu para 57,8%, em 2025. No caso de crianças menores de cinco anos o aumento foi de 52,9% para 73,5% no mesmo período. O EVC mensura a proporção de pessoas com todas as vacinas previstas no Calendário Nacional de Vacinação, por faixa etária. O secretário de Saúde Indígena, Weibe Tapeba, atribuiu ao aumento da força de trabalho na terra indígena Yanomami o êxito no combate aos vazios assistenciais. Em 2023, o DSEI contava com 690 profissionais contratados. Desse período até agora, mais 1.165 profissionais foram contratados. Um crescimento de 169%. “Mais profissionais de saúde mobilizados no distrito garantem a cobertura do atendimento diretamente nas aldeias e a ação rápida em situações como essas. Hoje, além das vacinas, podemos realizar testes e exames diretamente nos Polos Base. Por exemplo: o exame de gota espessa hoje pode ser feito diretamente no território devido a contratação de microscopistas”, explicou. Centro de Referência em Surucucu Em setembro de 2025, o primeiro Centro de Referência em Saúde Indígena (CRSI Xapori Yanomami) do Brasil começou a funcionar no Território Yanomami, em Roraima, marcando um avanço histórico na atenção à saúde das populações indígenas da região. A unidade teve um investimento federal de cerca de R$ 29 milhões, com o objetivo de ampliar a capacidade de atendimento de casos graves, oferecer suporte em urgências e emergências e reduzir a necessidade de remoções a centros urbanos distantes. A construção da unidade contou com o apoio da Central Única das Favelas (CUFA) e da ONG alemã Target Reudiger Nehberg. Cerca de 10 mil indígenas de 60 comunidades são beneficiados diretamente pela estrutura, que respeita as especificidades culturais e epidemiológicas do povo Yanomami e conta com profissionais de saúde, logística e infraestrutura.

Brasil e Índia debatem parcerias para ampliar cooperação para produção de medicamentos, saúde digital e medicina tradicional

Ministro Alexandre Padilha se reuniu com principais autoridades de saúde do governo indiano ministro da Saúde, Alexandre Padilha, está em missão oficial na Índia para fortalecer a cooperação bilateral em áreas como tecnologia e inovação em saúde, produção de medicamentos e vacinas, além de avanços regulatórios estratégicos para o Sistema Único de Saúde (SUS). Nesta quarta-feira (18/02), o ministro brasileiro se reuniu com as principais autoridades de saúde do governo indiano. Em Nova Délhi, Padilha encontrou o ministro da Saúde e Bem-Estar da Família da Índia, Jagat Prakash Nadda, e o ministro de Medicina Tradicional, Prataprao Jadhav, para aprofundar ações conjuntas. “Brasil e Índia têm sistemas públicos robustos, forte capacidade científica e papel estratégico no Sul Global. Nossa cooperação em saúde pode ampliar o acesso da população a medicamentos, fortalecer a produção local e impulsionar a inovação”, afirmou Alexandre Padilha. Produção de medicamentos e tecnologias Na reunião com o ministro Jagat Prakash Nadda, o foco foi o fortalecimento da parceria entre os dois países na produção de medicamentos e tecnologias em saúde. Também foram discutidas parcerias entre instituições públicas e empresas dos dois países, com destaque para medicamentos oncológicos e produtos voltados ao enfrentamento de doenças tropicais. Coalizão do G20 e fortalecimento do Sul Global Alexandre Padilha convidou formalmente o governo indiano a participar do lançamento, no Brasil, de projetos da Coalizão Global de Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo lançada durante a presidência brasileira do G20. A coalizão tem por objetivo fortalecer a cooperação Sul-Sul em medicamentos, vacinas e tecnologias em saúde. “Queremos que Índia e Brasil estejam na linha de frente de uma nova agenda internacional de saúde baseada em produção local, inovação e cooperação solidária”, afirmou o ministro brasileiro. Saúde digital e inteligência artificial Outro eixo central das reuniões foi a saúde digital. Brasil e Índia discutiram desafios e oportunidades do uso de tecnologias digitais e inteligência artificial na organização dos sistemas públicos. Segundo Padilha, o intercâmbio em saúde digital pode acelerar a modernização do SUS, ampliar o acesso e qualificar o cuidado à população. Biblioteca digital e cooperação em medicina tradicional Na reunião com o ministro Prataprao Jadhav, o diálogo se concentrou na cooperação em medicina tradicional, área em que a Índia possui estrutura ministerial própria. Um dos temas debatidos foi a implementação de uma biblioteca digital de medicina tradicional, reunindo evidências científicas, protocolos, estudos clínicos, registros históricos e boas práticas sobre Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) – práticas baseadas em conhecimentos tradicionais.

Ministério da Saúde visita parque industrial na Índia para avançar em acordos para produção nacional de biológicos

Visita à indústria farmacêutica indiana busca fortalecer parcerias estratégicas e impulsionar produção nacional de medicamentos de alta complexidade Para ampliar a autonomia do Brasil na saúde pública e fortalecer a produção nacional de medicamentos de alta complexidade, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, visitou nesta quinta-feira (19/2) o parque industrial da Biocon, em Bengaluru, na Índia. Durante a agenda, o ministro conheceu as instalações industriais para produção de medicamentos biológicos como o pertuzumabe – indicado para o tratamento do câncer de mama HER2-positivo, inclusive em estágio metastático. O ministro também conheceu processos para a produção de medicamentos à base de GLP-1, como a semaglutida, popularmente conhecida como “caneta emagrecedora”, indicada para o tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade. “Estivemos em uma das maiores produtoras de medicamentos biológicos, biossimilares. São medicamentos modernos para tratamento do câncer, de doenças autoimunes, doenças crônicas que queremos produzir no Brasil. Uma parceria muito importante que vai garantir mais acesso à população brasileira a esses medicamentos e salvar vidas no nosso país. Além disso, essa grande produtora mundial domina a tecnologia de peptídeos, que são medicamentos para diabetes e controle da obesidade e que também poderão servir, no futuro, para outras doenças. A expectativa do Ministério é que essa aproximação das empresas brasileiras e indianas possa gerar novos acordos, mais tecnologia e mais produção de medicamentos no Brasil. É um importante avanço para cuidar da saúde e soberania brasileira com esse grande parceiro dos BRICS que é a Índia”, disse Padilha. A Índia é uma das principais potências farmacêuticas do mundo, com elevada capacidade produtiva, forte investimento em inovação e expansão significativa na área de saúde digital. Hospitais inteligentes O ministro também visitou a unidade hospitalar da rede Narayana Health, referência internacional no conceito de hospital inteligente. A rede possui diversas unidades na Índia e presença internacional, com hospitais no Reino Unido e Quênia. A instituição se destaca pelo uso intensivo de tecnologias digitais para acompanhamento de pacientes, prontuário eletrônico integrado, monitoramento de equipamentos em tempo real e gestão baseada em dados. Na ocasião, Padilha se reuniu com o diretor médico e vice-presidente da rede, Paul Salins. Segundo o ministro, o Brasil, por meio do Ministério da Saúde, em parceria com a Universidade de São Paulo, estados e municípios, atua para estruturar a Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes. A iniciativa faz parte do programa Agora Tem Especialistas, do Governo Federal, que tem como objetivo reduzir o tempo de espera por consultas, exames e procedimentos especializados no SUS. O projeto prevê a implantação inicial em 13 estados — Manaus (AM), Belém (PA), Salvador (BA), Teresina (PI), Fortaleza (CE), Recife (PE), Dourados (MS), Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS) — com foco nas UTIs e na criação de um hospital de emergência totalmente inteligente, conectado por internet, com monitoramento digital de equipamentos, integração com ambulâncias e articulação com as redes locais de atenção à saúde. “Estamos recebendo financiamento do Banco dos BRICS e firmando parcerias com vários hospitais que já utilizam o conceito dos hospitais inteligentes da China e da Índia. Essa cooperação vai consolidar uma parceria estratégica do Ministério da Saúde com essa futura rede de cuidados no SUS”, apontou Padilha. 

Ministério da Saúde assina parcerias na Índia para produção de medicamentos contra o câncer no SUS

Acordos firmados com parceiros brasileiros e indianos preveem transferência de tecnologia e investimento que pode chegar até R$ 10 bilhões em 10 anos Durante missão na Índia com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, assinou, neste sábado (21/2), três Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) estratégicas para a produção nacional de medicamentos oncológicos no Sistema Único de Saúde (SUS). Os acordos representam investimento estimado por parte do Ministério de até R$ 722 milhões no primeiro ano podendo chegar a R$ 10 bilhões em 10 anos, a partir do uso do poder de compra do Estado para ofertar aos pacientes do SUS os medicamentos pertuzumabe, dasatinibe e nivolumabe. A formalização ocorreu durante o Fórum Empresarial Brasil–Índia, em Nova Delhi. “Brasil e Índia trabalham lado a lado, há décadas, na defesa da equidade no acesso a medicamentos, sobretudo os genéricos, e da soberania sanitária no âmbito da Organização Mundial da Saúde. Nesta visita, a Fundação Oswaldo Cruz assinou acordos para pesquisa e produção local de insumos estratégicos, como a vacina contra a tuberculose e medicamentos oncológicos, imunossupressores e voltados a doenças negligenciadas e raras. Também há grande potencial de colaboração na área de hospitais inteligentes, como o que o ministro Padilha visitou em Bangalore há dois dias.”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ministro Alexandre Padilha ressaltou a importância dos acordos firmados durante a missão. “Estamos saindo da Índia com acordos que vão garantir ao Brasil medicamentos modernos para o tratamento do câncer de mama, de pele e das leucemias, ampliando o acesso e salvando vidas, especialmente de mulheres. Mais do que assegurar esses tratamentos, estamos viabilizando a transferência de tecnologia para fortalecer a produção nacional, gerar emprego e renda e ampliar a autonomia e a segurança dos pacientes brasileiros”. A iniciativa para a produção nacional de medicamentos oncológicos integra a estratégia de fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, retomada por este governo, garantindo o abastecimento de fármacos, promovendo a transferência de tecnologia e ampliando a autonomia produtiva nacional. As PDPs contemplam três medicamentos utilizados no tratamento de diferentes tipos de câncer, como os de mama, pele e leucemias. Os acordos envolvem laboratórios públicos brasileiros e parceiros privados nacionais e indianos, com foco na internalização da produção e no desenvolvimento tecnológico. Com a fabricação no país, o Ministério da Saúde busca reduzir a dependência externa de medicamentos estratégicos, assegurar maior estabilidade no fornecimento e ampliar o acesso da população a terapias de alta complexidade. A produção do nivolumabe envolve a cooperação entre a Fundação Baiana de Pesquisa Científica e Desenvolvimento Tecnológico, Fornecimento e Distribuição de Medicamentos (Bahiafarma), como parceiro público, e a Bionovis S.A. (Companhia Brasileira de Biotecnologia Farmacêutica) e a Dr. Reddy’s Laboratories Ltda. (farmacêutica indiana), como parceiros privados. Já a fabricação do pertuzumabe será feita em parceria com a Fundação Baiana de Pesquisa Científica e Desenvolvimento Tecnológico, Fornecimento e Distribuição de Medicamentos (Bahiafarma) como parceira pública, e as empresas Bionovis S.A. e Biocon Biologics do Brasil Ltda., como parceiras privadas. A PDP para a produção dodasatinibe, por sua vez, será realizada em parceria entre a Fundação para o Remédio Popular (FURP), a Biocon Pharma Ltda. e a Nortec Química S.A. Ampliação da cooperação Brasil e Índia em saúde Ainda, Padilha participou da assinatura de termo aditivo ao Memorando de Entendimento entre Brasil e Índia, que prorroga por cinco anos a cooperação bilateral em saúde. O acordo amplia iniciativas conjuntas em áreas como produção de medicamentos, vacinas e insumos farmacêuticos ativos, biofabricação, inovação produtiva, desenvolvimento de biológicos, saúde digital, telessaúde e inteligência artificial. A cooperação também prevê intercâmbio técnico em áreas estratégicas, como oncologia, diabetes, doenças cardiovasculares e prevenção de doenças crônicas, contribuindo para o fortalecimento das políticas públicas de saúde. Fiocruz fortalece produção com parceiros indianos A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) também reforçou a agenda bilateral com a assinatura de dois Memorandos de Entendimento (MdE) com empresas farmacêuticas indianas, ampliando a cooperação internacional em pesquisa, desenvolvimento e produção de medicamentos estratégicos para o Brasil. Um dos acordos será firmado com a Biocon Pharma, com foco na transferência de tecnologia e produção de tratamentos para doenças raras, câncer e terapias imunossupressoras. O outro, com a Lupin, prevê desenvolvimento conjunto, produção local e fortalecimento de capacidades industriais e regulatórias voltadas a medicamentos para doenças infecciosas negligenciadas, como tuberculose, malária, esquistossomose, hanseníase e doença de Chagas. As iniciativas, conduzidas pelo Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) e assinadas pela vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Priscila Ferraz, reforçam a estratégia do Ministério da Saúde de ampliar o Complexo Econômico-Industrial da Saúde e garantir maior acesso da população a tratamentos inovadores e essenciais no SUS. Anvisa amplia cooperação regulatória com a Índia Já o Memorando de Entendimento assinado entre a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Central Drugs Standard Control Organization (CDSCO) estabelece a troca de informações regulatórias de medicamentos, insumos e dispositivos médicos para viabilizar análises mais céleres e o intercâmbio das melhores práticas entre autoridades sanitárias do Brasil e da Índia.

Paciente mais jovem do país a receber polilaminina relata movimento nas mãos: ‘Não mexia antes’

Substância estudada há quase trinta anos é expectativa de pacientes que sofreram lesão na medula e perderam movimentos do corpo. Em Mato Grosso do Sul, a 1ª aplicação do medicamento que ainda está em análise na Anvisa aconteceu no dia 21 de janeiro deste ano. O paciente mais jovem a receber a polilaminina no Brasil e o primeiro de Mato Grosso do Sul, Luiz Otávio Santos Nunez, de 19 anos, relatou ao g1 que voltou a movimentar a ponta de um dos dedos da mão 12 dias após a aplicação da proteína, que ocorreu no Hospital Militar de Campo Grande. Veja o vídeo acima. Luiz Otávio é militar do Exército Brasileiro e ficou tetraplégico após um acidente com arma de fogo em outubro do ano passado. Para ter acesso ao medicamento, ainda em fase experimental, ele precisou recorrer à Justiça. A proteína está em estudos clínicos na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “É algo mínimo, é um movimento pequeno, só que é algo que eu não via antes. E eu tinha comentado com a minha mãe que eu não conseguia mexer a ponta do dedo indicador igual mexia dos outros dedos, e agora [desde o último domingo (1/2)] eu consigo mexer a ponta”, enfatizou Luiz Otávio. O jovem também disse que passou a sentir movimentos nos nervos das pernas, que foram afetadas e perderam a sensibilidade e movimentação após o acidente. A fisioterapia tem sido essencial para a auxiliar na recuperação de Luiz Otávio. “Eu concentro para tentar mexer e eu vejo esses nervos trabalhando”, diz o jovem. A recuperação parcial do movimento trouxe a Luiz a esperança de que o medicamento seja aprovado e possa ajudar a recuperação dele e de outras pessoas que enfrentam a mesma situação. “Espero que seja aprovado porque depois que sofri o acidente, por mais que eu acreditasse que voltaria a andar, ainda era difícil e, depois que recebi a proteína a esperança mudou”, comenta Luiz Otávio. A expectativa também é sentida pela mãe do jovem, Viviane Goreti Ponciano dos Santos, que ficou sabendo da proteína por reportagens que abordaram o assunto. “Desde o início os médicos nos deixaram cientes de que o tratamento dele seria longo e a possibilidade dele voltar a andar ou recuperar os movimentos seria muito longa. Mas vimos a partir de outros exemplos que existia uma possibilidade e outras pessoas tiveram evoluções e fomos atrás”, conta a mãe. A família de Luiz Otávio é de Fátima do Sul, localizada a 240 km de Campo Grande, mas precisou se mudar para a capital de Mato Grosso do Sul devido ao tratamento que o jovem terá que seguir, incluindo a fisioterapia. Proteína aplicada 110 dias após acidente A ação judicial para garantir o direito de Luiz Otávio a receber a polilaminina foi ajuizada no início de janeiro deste ano, quase três meses após o acidente que causou a lesão na medula, conforme explicou o advogado da família, Gabriel Traven. “A ação foi protocolada em uma sexta-feira e no sábado de manhã foi aprovada. O caso dele foi bem específico devido à janela terapêutica”, explica o advogado. O protocolo do estudo conduzido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com o laboratório Cristália, prevê a aplicação da polilaminina em até 72 horas após a lesão medular, período classificado como janela terapêutica. ➡️🔎No caso específico de Luiz Otávio, a aplicação aconteceu 110 dias depois da lesão na medula. A autorização para aplicação no jovem foi concedida pelo laboratório Cristália, parceiro da UFRJ e responsável pela parte industrial do medicamento. Para a pesquisadora responsável pelo estudo, Tatiana Sampaio, do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, ainda não é possível afirmar que as aplicações feitas fora do prazo limite terão efeitos significativos. “Ainda são estudos e o que posso dizer é que quando uma lesão é crônica, com mais de três, quatro meses, a dificuldade [de regeneração] é maior por conta de todo o processo patológico”, comenta a pesquisadora. Tatiana também reforça que não é possível prever se a aplicação da polilaminina vai ter efeitos positivos ou se poderá gerar efeitos colaterais. A lesão e a aplicação em Luiz Otávio A aplicação da polilaminina em Luiz Otávio aconteceu no dia 21 de janeiro de 2026, no Hospital Militar de Campo Grande. O procedimento durou cerca de 40 minutos, conforme relatou o neurocirurgião Wolnei Marques Zeviani, que acompanha o caso em Mato Grosso do Sul. De acordo com Zeviani, uma equipe de profissionais que compõe os estudos no Rio de Janeiro também participou do procedimento e segue acompanhando pós-operatório. “O Luiz sofreu uma lesão traumática que acometeu a medula espinhal, na região da vértebra C6, o que gerou a tetraplegia. Fizemos diversas análises e injetamos a polilaminina abaixo e acima da lesão”, explica o neurocirurgião. O médico reforça que só foi possível aplicar a substância em Luiz Otávio porque a lesão é considerada traumática aguda. O jovem perdeu movimentos parciais de braços e mãos e a sensibilidade total das pernas. “A polilaminina é uma proteína que estamos estudando sobre o efeito dela em lesões traumáticas medulares agudas ou subagudas. Então, o indicado são pacientes que sofreram uma lesão medular e têm uma deficiência de movimentos grave. Atualmente, essa aplicação está sendo feita em pacientes que tiveram a lesão em até três meses”, destaca. Ainda conforme o médico, pessoas que têm lesão medular há mais de seis meses ou anos não são estão sendo submetidos, por enquanto, ao tratamento. “O efeito desse medicamento sobre o tecido lesionado visa o crescimento do axônio, que é uma parte do neurônio que ainda tem capacidade de regeneração. Porém, pacientes com muito tempo de lesão não teriam mais esses neurônios para fazer a função da regeneração do tecido medular”, finaliza. O estudo da polilaminina A polilaminina é uma substância recriada em laboratório a partir da proteína natural laminina, encontrada na placenta humana. A substância tem a função de restabelecer as conexões de neurônios. Conforme Tatiana Sampaio, a substância pode atuar na regeneração de fibras danificadas nas lesões de medula causadas por traumas. “No caso de uma

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